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Música

MUSICOTURISMO EM PORTUGAL

Casa da Música, Porto
Casa da Música, Porto, foto Público

VIAGENS E PATRIMÓNIO MUSICAL

A Meloteca foi o sítio onde pela primeira vez se pensou com fundamento em "roteiros musicais" e onde nasceu o termo "musicoturismo" em Portugal. Embora o conceito não se tenha desenvolvido em Portugal a não ser em situações pontuais, achamos que é possível fazer roteiros turísticos em torno da música em muitas cidades portuguesas, em Lisboa, no Porto, em Braga, Cascais, Sintra e em muitas outras cidades ou vilas, para turistas estrangeiros e nacionais.

A palavra "musicoturismo" não se refere apenas a festivais de música que movimentam muitas pessoas e impulsionam a economia. Não se aplica apenas às cidades em cujo desenvolvimento a música tem um papel importante. Tem a ver com a perspetiva de que a informação sobre todo o património musical pode ser organizada de modo a fomentar viagens, lazer e enriquecimento cultural.

A música pode ser uma atração para visitas e viagens, sejam elas a pretexto de concertos e conhecimento do órgãos de tubos, da arquitetura dos teatros e auditórios, da estatuária, de monumentos a músicos, de coretos e sua relação com as filarmónicas, do contributo musical das universidades, dos conservatórios e academias, das casas onde viveram músicos relevantes no panorama musical, do folclore e das músicas locais.

Viena, Salzburgo, Praga, Buenos Aires, Londres, Rio de Janeiro, Nova Orleães são algumas das cidades do mundo que mais se destacam como destinos musicais.

Em certos países, grupos musicais estão abertos a que turistas assistam e toquem com eles, conhecendo a cultura de forma diferente.

Outras práticas de musicoturismo consistem em visitas turísticas que incluem um espetáculo musical ou uma oficina de música.

Em muitas cidades do mundo existem museus de música com importância para residentes e turistas.

Certos lugares pretendem desenvolver o musicoturismo com estratégia para revitalizar a economia e salvaguardar as tradições.

António José Ferreira

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FESTIVAIS E TURISMO CULTURAL

O turismo de temática musical foi estudado por Filipe Carvalhal, especificamente os festivais de música: Os festivais de Música como Promotores de Turismo Cultural, Tese apresentada à Universidade Católica Portuguesa para obtenção do grau de Mestre em Gestão de Indústrias Criativas, Porto: Escola das Artes 2014.

"Actualmente, os festivais de música são considerados um subconjunto importante no universo dos eventos culturais e têm merecido o interesse por parte de diferentes áreas de estudo, dada a sua universalidade e popularidade das experiências proporcionadas. No âmbito da investigação realizada sobre “Event Tourism”, foram identificadas algumas lacunas na literatura e uma das áreas pouco exploradas centra-se no planeamento e organização de eventos, envolvendo as organizações, os parceiros, a política, os objectivos, as estratégias, os impactos e a avaliação. Tendo em conta as lacunas referenciadas pela literatura, no contexto dos eventos turísticos, torna-se pertinente o estudo dos festivais de música, como agentes promotores de turismo cultural. Neste contexto definimos como objectivo geral: perceber se os festivais de música poderão ser promotores de turismo cultural e como objectivos específicos: caracterizar o modelo de negócio dos festivais: Milhões de Festa, Paredes de Coura, Primavera Sound; comparar o modelo de negócio dos 3 festivais; caracterizar a assistência do público dos três festivais; comparar a assistência do público dos três festivais; compreender se os três festivais se podem constituir como um “hallmark”. Participaram neste estudo os três promotores dos festivais em análise, Milhões de Festa, Paredes de Coura e Primavera Sound. Foi utilizado um questionário com o propósito de descrever e caracterizar os modelos de negócio aos promotores dos respectivos eventos, e uma entrevista semiestruturada, para recolher dados relativos à concepção dos festivais como promotores de turismo cultural, aos promotores dos festivais e ao Director da Direcção Regional da Cultura do Norte (DRCN). Os resultados permitem-nos concluir que a maior fonte de financiamento de todos os festivais provém da venda de bilhetes. Constatamos diferenças relativas à segunda maior fonte de financiamento privada e estatal. O festival Milhões de Festa apresenta apoios estatais como a sua segunda maior fonte, em contraste com os outros festivais. Relativamente à estrutura de gastos, a maioria das despesas é realizada com a contratação de bandas, destacando-se o festival Primavera Sound. Os gastos na produção geral dos festivais Milhões de Festa e Paredes de Coura apresentam despesas idênticas e superiores às do festival Primavera Sound. Os gastos com a equipa são semelhantes nos 3 festivais. O público que assiste aos festivais é maioritariamente nacional, excepto o do festival Primavera Sound onde quase metade do público é internacional. No âmbito do público nacional a larga maioria é de fora da cidade ou vila onde o se realizam os festivais Milhões de Festa e Paredes de Coura. Os resultados do nosso estudo permitem-nos concluir que os festivais de música são promotores de turismo cultural, porque despertam o interesse de milhares de pessoas para vivenciar uma experiência única e irrepetível, com grande impacto económico, social e mediático, promovendo a vila, a cidade, a região e o país. Todos estes factores fazem dos festivais de música um verdadeiro “hallmark” da região pelo que deveriam integrar o plano estratégico do Turismo de Portugal."

Filipe Carvalhal, Os festivais de Música como Promotores de Turismo Cultural, Tese apresentada à Universidade Católica Portuguesa para obtenção do grau de Mestre em Gestão de Indústrias Criativas, Porto: Escola das Artes 2014.

"No relatório da contribuição do turismo músical na economia do Reino Unido (2013), o ministro da Cultura, Comunicação e Indústrias Criativas (Ed Vaizey) refere que as indústrias criativas e o turismo estão entre os sectores com maior potencial de crescimento económico, referindo que o festival Glastonbury é um grande exemplo de força e diversidade da indústria da música ao vivo do Reino Unido. Referiu também que a música está neste momento posicionada como um dos sectores com mais sucesso das indústrias criativas. Reconheceu que a sinergia entre o turismo e a música é algo muito benéfico para o Reino Unido através do grande investimento que irá ser feito em 2015, de 70 milhões de libras em organizações de música por parte do Conselho das Artes de Inglaterra." (Filipe Carvalhal, Os festivais de Música, p. 1).

"No Plano Estratégico Nacional do Turismo (2013), é realçada a importância do turismo na economia, constituindo-se como um dos motores de desenvolvimento social, económico e ambiental a nível regional e nacional. Dos 10 produtos definidos no plano estratégico (Gastronomia e Vinhos; Turismo de Saúde; Turismo Residencial; Turismo Náutico; Turismo Natureza; Golfe; Turismo de Negócios; Estadias de curta duração em cidade; Circuitos Turísticos, Religiosos e Culturais; Sol e Mar), os festivais de música em Portugal não integram o plano estratégico, nem no produto definido como circuitos culturais. Como exemplo, na estratégia desenhada para a região Norte, na categoria de circuitos culturais, destaca apenas o turismo religioso e o turismo rural." Filipe Carvalhal, Os festivais de Música, p. 2).

"O turismo é definido pelo I.N.E. (2011), como: “Actividades realizadas pelos visitantes durante as suas viagens e estadas em lugares distintos do seu ambiente habitual, por um período de tempo consecutivo inferior a 12 meses, com fins de lazer, negócios ou outros motivos não relacionados com o exercício de uma actividade remunerada no local visitado”. O tempo, neste contexto, é um factor muito relevante, pois quanto mais longa for a estadia, maior será a probabilidade de o turista despender mais dinheiro. Podemos assim definir o turismo como uma actividade económica capaz de dotar uma região, cidade, vila ou aldeia de uma grande mais-valia económica, e o consequente desenvolvimento de uma região. O turismo cultural, num ponto de vista mais genérico, pode ser entendido como o movimento de pessoas que procuram enriquecer o seu conhecimento, através da descoberta de culturas, e manifestações culturais diferentes, fora da sua área de residência. A cultura, durante grande parte do Séc. XX foi vista como um elemento separado do turismo, no entanto, novas perspectivas se abrem no mercado do turismo, com a indissociável relação entre turismo e cultura, com ganhos mútuos que podem aumentar a atractividade e a competitividade, de uma região ou País. Segundo a publicação da OCDE (2009) a cultura tem um papel fundamental no turismo, criando uma diferenciação no destino, dentro de um mercado global, e na atração de maior investimento. Esta publicação refere que 5 esta ligação foi estimulada, pelo aumento do interesse na cultura, muito por força da globalização e do aumento do nível de escolaridade, pelo aumento da esperança média de vida, pelo desejo de vivenciar experiências, e pelo aumento do acesso à cultura que advêm de uma maior mobilidade. O turismo cultural é um mercado em crescimento, que tem estimulado a criação de trabalho. Por outro lado, com base neste tipo de turismo, as novas tecnologias permitem o acesso à informação sempre actualizada ajudando na autopromoção do país ou região e à criação de uma imagem de referência. Um estudo da OCDE (2007), sobre a importância da cultura na economia, refere que o valor das indústrias culturais representa cerca de 3% a 6% do valor total da economia, sendo que no caso do Reino Unido, representa 5,8% do seu PIB." (Filipe Carvalhal, Os festivais de Música, p.4-5)

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SETE SÓIS E SETE LUAS

"O Festival Internacional Sete Sóis Sete Luas, que abraça hoje mais de 30 cidades de 13 Países (Brasil, Cabo Verde, Croácia, Eslovénia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal, Roménia e Tunísia), propõe-se como promotor de TURISMO CULTURAL-MUSICAL a nível internacional através de pacotes turísticos relativos aos seus itinerários musicais e artísticos ao longo de rotas invulgares e fascinantes do Mediterrâneo e do mundo lusófono. Em colaboração com as várias Câmaras Municipais, criou pacotes turísticos, a preços em conta, de visitas aos vários territórios do circuito, válidos nos dias dos espectáculos. Os pacotes especiais incluem a estadia num hotel ou num agro-turismo com a oportunidade de aceder a exposições, concertos, empresas tradicionais, aluguer de automóvel e refeições em restaurantes típicos."

Consulta a 13 de março de 2017

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