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FÁBULA DO ÓRGÃO

Há muito tempo, no reino das Musas, os homens e os deuses brincavam como crianças felizes. O deus do vento ensinou os habitantes a assobiar. Pã ensinou-lhes a fazer flautas com tubos de cana de diferentes tamanhos. Aprenderam a controlar o sopro e assobiavam para não terem medo. Comunicavam com sons da boca, do pé, das mãos e faziam ritmos divertidos. Em poucos milénios descobriram muitos instrumentos musicais.

Os instrumentos foram ganhando auto-estima e vaidade. Um dia reuniram-se para decidir quem seria o chefe.

- Eu é que sou importante - disse a gaita. - Todos têm medo das serpentes, mas eu consigo dominá-las com o meu timbre.

- Não, não! Eu sou ainda mais importante! - disse a trombeta. - Todo o mundo sabe como consegui derrubar a muralha de Jericó com a força do meu som.

- Nem penses! - disse um dos outros instrumentos. - És demasiado barulhenta e perigosa.

- Conhecem alguém mais importante do que eu? - perguntou a caixa de rufo. - Levo os homens para a guerra e eles andam ao meu toque, mesmo contra a sua vontade.

- Não queremos guerra - disse a lira. - Eu é que sou importante. Sou conehcida em toda a Grécia e no Egipto.

- Importante sou eu! - disse a flauta de Pã. Bem sabeis como eu sou de origem divina.

Entretanto apareceu um rouxinol e disse: - Conhecem por acaso alguém que seja mais famoso no mundo inteiro do que eu?. Quem consegue imitar o meu canto?

Os instrumentos não conseguiram chegar a uma conclusão sobre os critérios de importância. O moderador da reunião, que se chamava Ctesíbio disse:

- Porque não criamos um instrumento que tenha em si a importância de todos? Um instrumento em que estejam representados o ar, a água, a terra e o fogo, a matéria e o espírito, a madeira e o metal.

- Boa ideia. E como vais consegui-lo? - perguntaram.

- Isso fica por minha conta - disse Ctesíbio.

Anos mais tarde, Ctesíbio apresentou o seu órgão de tubos. Todos ficaram espantados com o timbre e intensidade do novo instrumento.

Ao longo dos séculos, o órgão tornar-se-ia muito mais imponente e rico. Cumprindo a promessa de Ctesíbio, ainda hoje o órgão tem sons de trombeta, oboé, pífaro, viola, passarinhos e tambores.

António José Ferreira

04 Junho 2007

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Órgão da Sé de Aveiro, foto Paulo Ramos

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