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Alfredo Teixeira
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Alfredo Teixeira

 

Músicos

ECLESIÁSTICOS

ACÍLIO MENDES

Acílio Mendes, padre capuchinho, centenas de cânticos destinados aos Cursos Bíblicos

Frei Acílio Mendes (n. Chão de Couce, Ansião, 13 Set. 1943), ordenado presbítero em 1968, publicou centenas de cânticos destinados aos Cursos Bíblicos (que visam dar a conhecer ao povo a Sagrada Escritura), à promoção vocacional (de candidatos à vida religiosa) e à evangelização através de missões ao povo. Os cânticos de A. Mendes utilizam textos bíblicos (salmos, sobretudo) ou de inspiração bíblica estruturados em redondilha maior, tendo como objectivo a divulgação do livro sagrado, missão em que se destaca a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Caracterizam-se geralmente por melodias tonais simples harmonizadas em terceiras, uma estrutura responsorial e uma textura homofónica.

EntrevistaEntrevista

OBRA EDITADA:

(1979) Manhãs de um mundo novo. Lisboa: Edições Paulistas.

(1986) Mãos cheias de esperança | 12 cânticos |. Lisboa: Edições Paulistas.

(1987) Festa da vida | 12 cânticos |. Fátima: Secretariado Nacional de Dinamização Bíblica.

(1988) Primavera de Deus | 12 cânticos a Nossa Senhora |. Lisboa: Edições Paulistas.

(1989) A messe é grande | 12 cânticos |. Fátima: Secretariado de Pastoral Vocacional; Franciscanos Capuchinhos.

(1990) É bom cantar salmos. Lisboa: Edições Paulistas.

(1991) Viver da Palavra | Hinos dos encontros nacionais de grupos bíblicos|. Fátima: Secretariado de Pastoral Vocacional; Franciscanos Capuchinhos.

(1992) Aquela eterna fonte |12 hinos da Liturgia das Horas |. Lisboa: Edições Paulistas.

(1993) Vida em abundância | 17 cânticos |. Fátima: Secretariado de Pastoral Vocacional; Franciscanos Capuchinhos.

(1994) Forte é o amor | 13 cânticos da família |. Fátima: Secretariado Nacional de Dinamização Bíblica.

DISCOGRAFIA

(2001) Jesus Cristo é o Senhor. Fortes e Rangel; Difusora Bíblica DCD 1073.

BIBLIOGRAFIA

Ferreira, António José (1997) Música Litúrgica e/ou Música Sacra: Critérios para uma delimitação conceptual a partir do Magistério da Igreja e sua recepção em Portugal. Dissertação de Mestrado Universidade Católica Portuguesa-Lisboa.

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ANTÓNIO CARTAGENO

António Cartageno, padre compositor nascido em São Mamede de Ribatua

O P.e António (Júlio da Silva) Cartageno (n. São Mamede de Ribatua, 09 Jun. 1946), pela qualidade e popularidade das suas composições e pelas iniciativas no âmbito da música sacra, é um dos nomes cimeiros da música litúrgica em Portugal. Ainda criança, teve algumas das primeiras experiências musicais ligadas à Banda Filarmónica de São Mamede de Ribatua, que ensaiava em casa de seus pais, na localidade do mesmo nome. Do pai, que foi excelente executante de bombardino e responsável da Escola de Música da mesma instituição durante muitos anos, recebeu as primeiras lições de solfejo. Como aluno do Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais (Lisboa), entre 1964-1970, herdou as influências da prática gregoriana e de Manuel Luís, professor, compositor e maestro. Durante o mesmo período, no Centro de Estudos Gregorianos (actual Instituto Gregoriano de Lisboa), estudou órgão e harmonia com Antoine Sibertin-Blanc.

Padre da Diocese de Beja, desde 1972, além do trabalho na Comissão Diocesana de Música Sacra e da direcção coral, fez, entre 1978-1982, com o P.e António Mendes Aparício, uma recolha exaustiva de cânticos da tradição popular religiosa do Baixo Alentejo ligados às festas de Nossa Senhora, Natal, Quaresma/Paixão, Santos Populares, que, praticamente, tinham deixado de se cantar, mas conservados, alguns deles, no Cancioneiro Alentejano (1955) do P.e António Marvão. A Comissão de Liturgia e Música Sacra de Beja, de acordo com desejo da Instrução Musicam Sacra (nº 4b) e da Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium (nº 118-119), recuperou muitos desses cânticos, adaptando alguns textos à liturgia. Com o apoio do Coro do Carmo, procedeu à gravação e divulgação de quase trinta espécimes, publicados em livro, cassete e CD, tornando-se muito populares alguns deles (O bom pastor, Fonte de água viva, Nossa Senhora do Carmo).

Entre os anos 1987-1994, licenciou-se em Música Sacra e fez o mestrado em Canto Gregoriano e Composição Sacra, no Pontificio Istituto di Musica Sacra de Roma. Desenvolveu intensa actividade na formação musical dos seminaristas em Beja e Évora, sensibilização organística na sua Diocese (que inclui a construção do Grande Órgão da Sé de Beja) e iniciativas pedagógicas no Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, realizado anualmente em Fátima desde 1975.

No âmbito do Serviço Nacional de Música Sacra, de que é vice-presidente, colaborou na edição renovada dos Salmos Responsoriais de Manuel Luís, os mais cantados na Missa a nível nacional e harmonizou-os para acompanhamento de órgão; colaborou na instrumentação dos Cânticos Instrumentados para Banda e na elaboração da colectânea litúrgica Cânticos de Entrada e Comunhão, em dois volumes. Foi professor no Curso de Música Litúrgica, realizado em Fátima, onde também organizou e dirigiu, em 2000, o Jubileu Nacional dos Músicos que congregou cerca de 10000 coralistas e instrumentistas portugueses.

A sua escrita, em que sobressai o número de composições para a Missa e Liturgia das Horas, procura ser fiel aos textos, normalmente da Bíblia ou dos livros litúrgicos, adaptando à palavra o ritmo e o desenho melódico. A sua fluência melódica (ora tonal, ora modal) vai de encontro à necessidade e gosto das assembleias cristãs, sem ignorar os coros polifónicos a 4 vozes mistas e o órgão de tubos na sua função de acompanhamento. Algumas das suas composições são executadas em Itália. O seu pensamento harmónico evita os lugares comuns tonais, respeitando a matriz modal da composição do cântico, se é o caso, e o próprio contexto para o qual escreve e que exige, por vezes, mais simplicidade.

OBRAS SACRAS PUBLICADAS

O povo de Deus reunido colect (1970).

Manuel Luís, Salmos Responsoriais colab. Lisboa, CDLMS, 199

Manuel Luís, Salmos Responsoriais: Livro do organista harm. para acomp. de org. Fátima, SNMS, 1997.

Akathistos: Hino em honra da Virgem, Mãe de Deus para coro, solistas e assembleia. Fátima, SNL, 1998.

Cânticos Instrumentados para banda instr. Fátima, SNMS, 2000.

Cânticos alentejanos recolha de 36 cânticos da tradição popular religiosa do Baixo Alentejo. Lisboa, Paulinas, 2001. CD.

António José Ferreira

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ANTÓNIO FERREIRA DOS SANTOS

António Ferreira dos Santos, impulsionador da música sacra e litúrgica em Portugal

O Cón. António Ferreira dos Santos (n. Guidões, Santo Tirso, 25 Jun. 1936), figura carismática da diocese portucalense e da cultura em Portugal, forma, com Manuel Faria e Manuel Luís, o trio dos grandes impulsionadores da música sacra e litúrgica, no século XX. Nome inseparável da Sé e da Igreja da Lapa (Porto), contribuiu decisivamente para um progresso estrutural no ensino e prática musicais na Igreja. Concluiu o curso do Conservatório de Música do Porto, fez o Curso Superior de Órgão e o Curso de Música Sacra, na Escola Superior de Música de Munique. Em Salzburg, frequentou um curso internacional de órgão orientado pelo Prof. Emil Sauer.

Regressado ao Porto, com os padres Agostinho Pedroso, Ângelo Ferreira Pinto e José Maria Pedrosa Cardoso, aí fundou, em 1971, o Coro da Sé e a Escola Diocesana de Música Litúrgica, seguindo-se, em 1973, o Boletim de Música Litúrgica e o agrupamento de metais e tímpanos Solemnium Concentus, em 1977. Contribuiu para o desenvolvimento dos serviços litúrgico-musicais de regente de coros, cantor, salmista, organista. Semeou um renovado interesse pelo órgão de tubos, patente num grupo de organistas especializados em Munique, no restauro de instrumentos históricos e na construção de 5 grandes órgãos na Diocese, entre 1985-2000: Sé do Porto, Matriz de Espinho, Igreja da Lapa (o maior órgão moderno da Península Ibérica), Senhora da Conceição e Cedofeita (Porto).

Duas fases se podem distinguir na actividade criativa do Cónego F. Santos. Uma primeira fase, entre 1960-1990, orientada para a liturgia, contempla todas as formas musicais, para uma e várias vozes, para coros mistos e coros de vozes iguais, para crianças e adultos, com diversos graus de dificuldade, para a missa, outros sacramentos e Liturgia das horas, valorizando o diálogo entre a assembleia, coro, solistas e pequeno coro. Um desejo de adaptação à cultura popular marca a suas primeiras composições, de base tonal e grande fluência melódica. Os salmos são a maior base literária dos mais de mil cânticos publicados. A escrita supõe, às vezes, instrumentos solistas, como a flauta e o órgão, tendo em conta as necessidades litúrgicas e características humanas dos seus intérpretes. Os seus cânticos têm estruturas variadas, conforme a função litúrgica e os destinatários, desde o esquema refrão-solo-refrão à execução antífona-refrão-solo-refrão-antífona, passando por momentos contrapontísticos nos cânones.

Numa segunda fase, a partir de 1990, além das composições para a liturgia, dedica-se à composição para grandes formações de coro e orquestra. As suas obras, designadamente as cantatas, incentivaram o crescimento dos coros e a relação de vários agrupamentos com a música religiosa, incluindo a Orquestra Clássica do Porto. Em 1995, foi apresentado o Requiem à memória do Infante D. Henrique, com primeira audição no Mosteiro da Batalha pelas comemorações henriquinas (1995). Sem ser uma obra de vanguarda, como não são as outras obras do compositor, revela um grande domínio da música sacra, desde a tradição gregoriana à obra de Messiaen, e liberdade em relação às correntes estéticas, sensível e arrebatada no respeito pelos textos da liturgia.

F. Santos foi mestre de Capela da Sé do Porto, director artístico do Sollemnium Concentus e do Coro de Câmara da Cidade do Porto, professor de órgão no Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição (Porto), maestro fundador da Orquestra Sine Nomine, membro fundador e presidente, em 1992, da Conferência Europeia para a Defesa e Promoção da Música da Igreja (instituição eclesial sediada em Roma com ligação ao Parlamento Europeu), membro efectivo do conselho científico da Escola Superior de Música do Porto, conselheiro do IPPAR para o Órgão de tubos, presidente do Serviço Nacional de Música Sacra, director do Curso de Música Litúrgica nacional, promotor do I Encontro Nacional de Coros para a Liturgia e do I Encontro Nacional de Pequenos Cantores, membro do Conselho Artístico da Regie Sinfonia Orquestra, director fundador da Escola das Artes, presidente da Assembleia Geral e Membro fundador da Associação Manuel Faria, presidente da Sociedade Plurifonia 2001. Introduziu em Portugal o Método Musical de Pierre van Hawve. Sob proposta do Ministro da Cultura, foi nomeado, pelo Governo, presidente do Júri que, em 1997 e 1998, atribuiu prémios às maiores revelações musicais do País e fez parte da Comissão Interministerial para a Reforma do Ensino Artístico em Portugal. Foi agraciado com a Medalha de Ouro da Cidade do Porto e a Grande Cruz de Mérito Cultural da República Federal da Alemanha.

OBRA MUSICAL

OBRA MUSICAL EDITADA

Missa Simples em português (1965). Uma voz. Porto: Edições Salesianas

Requiem à memória do Infante D. Henrique (1994). Mosteiro da Batalha pelas comemorações henriquinas,1995. Sociedade Histórica da Independência de Portugal, 1997, 1056.

Cerca de 580 cânticos litúrgicos e religiosos editados no BML 1 a 31 (1973-2003).

O livro do salmista. Advento e Natal (s.d.) Porto: Secretariado Nacional de Liturgia. [Col. com Manuel Luís]

O livro do salmista. Quaresma, Tríduo Pascal, Tempo Pascal. (s.d.) Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia. [Col. com Manuel Luís]

OBRA INÉDITA

A criação - Cantata para declamador (1992). Bar., vários SATB, orq. metais, pf., órgãos e perc.

Louco por Deus na hospitalidade - Cantata (1994). Grande SATB, BF, pf., órgão. [Encomendada pela Comissão do V Centenário do Nascimento de São João de Deus]

O paraíso - Cantata [s.d.]. S, T, grande SATB, orq.

António José Ferreira

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ANTÓNIO AZEVEDO OLIVEIRA

O P.e António Azevedo Oliveira (n. Ribeirão, Famalicão, 24 Dez. 1946), figura preponderante da música litúrgica em Braga depois de Manuel Faria, é igualmente uma referência a nível nacional no último quartel do século XX. Membro do presbitério bracarense, foi discípulo de Manuel Borda e Manuel Faria, de quem foi assistente no Seminário Conciliar. Tendo feito os cursos superiores de Piano e Composição (com Fernando Corrêa de Oliveira), no Conservatório Regional de Braga, viria a prosseguir os estudos no Pontifício Instituto de Música Sacra (1979-1986), obtendo as licenciaturas em Canto Gregoriano, Música Sacra, e o grau de Maestro em Composição Sacra. Em 1986, foi nomeado presidente da Comissão Bracarense de Música Sacra e director da Nova Revista de Música Sacra, a cuja direcção estava ligado desde 1979.

Desde 1978, publicou, na NRMS, cerca de 130 cânticos litúrgicos com proposta de partes a três e quatro vozes mistas. Na sua criação, maioritariamente litúrgica, têm primazia as texturas homofónicas, com partes alternativas para coro misto SATB. Com influências da música de tradição popular e do canto gregoriano, procura música que sirva o ritmo do texto poético, normalmente tirado da Bíblia e da Liturgia (Ofício e Missa). Os acompanhamentos para órgão, de execução relativamente simples, não deixam de procurar a modernidade, e têm a ver com a formação adquirida em Roma no "Curso de Órgão Litúrgico", com Erich Arndt. Oliveira musicou os Salmos Responsoriais, que publicou em 3 volumes, nessa altura a única obra com acompanhamento de órgão, em Portugal. Organizou a colectânea A Igreja canta, com os cânticos publicados na Nova Revista de Música Sacra entre 1971-2000. Fundou, em 1988, da Escola Bracarense de Música Sacra, para formação musical das paróquias. Colaborou como organista e professor de História da Música nos Cursos de Música Sacra de Fátima, e como compositor, conferencista, acompanhador organístico, director de coro e de assembleia em vários encontros (diocesanos e nacionais) de Pastoral Litúrgica colaborou. Através da escrita musical, dá um contributo precioso para edições musicais do Secretariado Nacional de Liturgia, como as músicas do "Missal Romano", a "Liturgia das Horas - Edição para canto" e os "Cânticos de entrada e comunhão"(2 volumes).

OBRA EDITADA

(1989) Salmos Responsoriais - ano A. Braga: Comissão Bracarense de Música Sacra.

(1990) Salmos Responsoriais - ano B. Braga: Comissão Bracarense de Música Sacra.

(1991) Salmos Responsoriais - ano C. Braga: Comissão Bracarense de Música Sacra.

(2000) Vésperas do Santíssimo Sacramento para Coro, Órgão e Assembleia. Braga: Comissão Bracarense de Música Sacra.

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ANTÓNIO MARVÃO

O P.e António Marvão, natural da Amareleja, realizou uma recolha musicológica pioneira no Baixo Alentejo. Publicou "Origens e características do folclore alentejano" e o "Cancioneiro Alentejano". Procurando uma compreensão global do povo alentejano, "Corais majestosos coreográficos e religiosos do Baixo Alentejo" (1955) "constitui a primeira publicação de vulto sobre o canto popular de uma parcela do País, marcada, nessa matéria, de forte individualidade", que só fora objecto de rápidas apreciações. Publicou também "O Alentejo canta" (1956), "O folclore musical do Baixo Alentejo nos ciclos litúrgicos da Igreja" (1965), "Fisionomia do canto alentejano" (1970) e "O canto alentejano" (1985).

António Marvão fez pesquisas valiosas para o conhecimento da música tradicional, embora alguns métodos não fossem eventualmente os melhores. Contudo, se hoje vemos mais longe é "porque anões somos aos ombros de gigantes". No dizer do musicólogo José Bettencourt da Câmara , o P.e Marvão é "o pioneiro que preservou parte substantiva das tradições musicais alentejanas", possibilitando estudos ulteriores.

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AUGUSTO FRADE

P.e Augusto Frade, pedagogo e regente de coros, fundou e dirige a Escola Diocesana de Música Sacra de Coimbra

O P.e Manuel Augusto da Silva Frade (n. Calvão, Vagos, 28 Ag. 1934), pedagogo e regente de coros, fundou e dirige a Escola Diocesana de Música Sacra de Coimbra (1991), tendo organizado iniciativas de valor pedagógico relevante no quadro da Diocese. Ainda criança, aprendeu a tocar bombardino, prosseguindo os estudos musicais no Seminário e, entre 1983-1987, no Pontifício Instituto de Música Sacra de Roma, onde fez o mestrado em canto gregoriano.

Compôs alguns cânticos para a missa e a Liturgia das Horas. Desde a ordenação sacerdotal, em 1959, leccionou teoria musical e piano nos seminários Menor e Maior da Diocese, na Figueira da Foz e Coimbra, respectivamente, e no Instituto Superior de Estudos Teológicos. É regente do Coro da Catedral. Como vogal do Serviço Nacional de Música Sacra, colaborou na selecção e organização de livros de canto editados pelo Secretariado Nacional de Liturgia. Integrou equipas de estudo sobre A formação musical nos Seminários e Institutos Religiosos e Integração das Bandas na liturgia do Vaticano II, e a Comissão organizadora do Jubileu Nacional dos Músicos, em Fátima (2000).

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BENJAMIM DE OLIVEIRA SALGADO

Benjamim Salgado, padre, compositor e regente de coros

Benjamim de Oliveira Salgado (n. Joane, Famalicão, 8 Mai 1916; m. Joane, 28 Jan 1978), compositor e regente de coros, é uma das mais plurifacetadas personalidades bracarenses. Foi, além de pároco e compositor para a liturgia, professor de Canto Gregoriano, História da Música, Piano e Harmónio, no Seminário Conciliar de Braga, director do jornal "Correio do Minho", fundador e director artístico de coros, director geral da Fundação Cupertino de Miranda, director da Casa de Camilo e, caso raro, Presidente da Câmara Municipal de Famalicão.

Estudou música com os padres Francisco Galvão, Alberto Brás e Lucien Lambert (harmonia e contraponto), no Conservatório do Porto. Os seus cânticos, muitos deles sobre textos do P.e Joaquim Alves, têm o estilo da canção popular, na componente poética, no desenho melódico e na "roupagem harmónica despretensiosa, mas de apurado sabor" (M. Faria). Em 1957, assumiu a direcção do Orfeão Famalicense que, com as solicitações dos Encontros de Coros, o levou a dedicar-se às músicas corais sacra e profana. Foi membro da Comissão Bracarense de Música Sacra e colaborou na NRMS, na adesão às mudanças litúrgicas trazidas pelo Concílio Vaticano II.

OBRA INÉDITA

Missa (para vozes e orquestra).

Te Deum (para vozes e orquestra).

Missa de Requiem (para vozes e orquestra).

Libera me (para vozes e orquestra).

Ave Maria (para coro e orquestra, vozes e flauta solistas).

Ecce Panis (para quatro solo, quatro vozes e orquestra).

Rosas de Maio (para solos, coro e orquestra).

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CARLOS SILVA

Nascido numa família de tradições musicais, o Cónego Carlos Silva (n. Minde, 1928) foi ordenado padre em 1951. Pelo bispo D. José Alves Correia da Silva, o bispo das Aparições de Fátima e das Semanas Gregorianas de Fátima, foi enviado para o Pontifício Instituto de Música Sacra, onde estudou Canto Gregoriano, Piano e Órgão. De regresso a Portugal, foi professor de Música, Canto Coral e História no Seminário de Leiria, onde estudara.

A partir de 1957, passou a dirigir o Serviço de Música do Santuário. O aumento de peregrinos levou-o a compor cânticos simples para as multidões que afluíam a Fátima. A sua produção, essencialmente monódica, dirige-se a pequenos coros em alternância com a assembleia. Carlos Silva foi publicando composições para os vários tempos litúrgicos, em cadernos da Diocese, nas revistas da especialidade e nos guiões do Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica. Divulgou o gosto pela música de órgão, contribuindo para o restauro do órgão da Sé (que seria transferido para o Santuário da Encarnação) e para a construção do grande órgão de tubos, inaugurado em 1998.

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CELESTINO BORGES DE SOUSA

Celestino Borges de Sousa, ex-beneditino, fez os estudos musicais no Instituto Gregoriano de Paris, Escola César Franck e foi discípulo de Auguste Le Guennant, Édouard Souberbielle, G. Lioncourt e Grunwalter. Para a nova música litúrgica em vernáculo, a seguir ao Concílio Vaticano II, compôs cânticos para a missa e para a Liturgia das Horas e foi um dos quatro membros da Comissão Portuguesa de Música Sacra (1995).

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FREI HERMANO DA CÂMARA

Ligado ao fado e à guitarra por tradição familiar, Frei Hermano da Câmara gravou o primeiro disco em 1955.

Ligado ao fado e à guitarra por tradição familiar, Frei Hermano da Câmara gravou o primeiro disco em 1955. Aos 27 anos, tornou-se monge beneditino, datando dessa época o famoso "Fado da despedida". Com o seu timbre peculiar, Frei Hermano da Câmara incarna a vedeta da canção de tipo místico. Nos anos 70, o "Nazareno", obra musical inspirada no Evangelho, apoiada em vários poetas portugueses, com transcrição, arranjos, direcção de orquestra e coros de Jorge Machado, teve muitas representações e vendeu numerosos discos. Sucesso tiveram igualmente os discos "Deus é música" e "Totus Tuus" (serenata mística a Nossa Senhora).

Frei Hermano deu espectáculos no Teatro Tivoli (1969), no Teatro de São Luís (1977), no Teatro Maria Matos (1980), no Coliseu dos Recreios (1986) no Coliseu do Porto (1988), na Expo 98. Ex-fadista e ex-beneditino, fundou a congregação dos Apóstolos de Santa Maria que reconhece especial importância à música no apostolado, tendo por lema a música como veículo da fé. Em 1994, no topo de vendas discográficas estava a "Missa Portuguesa", editada pela Movieplay, com acompanhamento da London Philarmonic Orchestra. Em 1997, "Um astro de luz", com acompanhamento da mesma London Philarmonic Orquestra e António Chainho em guitarra, sob a direcção de José Calvário, inclui temas como "No céu, no céu", "Nome Dulcíssimo", "Jesus, eu amo-Te". Recentemente a etiqueta Farol editou "Vivo d'arte vivo d'amor".

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JOÃO CANIÇO

O Maestro Padre João Caniço é diplomado em Direcção de Canto Gregoriano e em Direcção Coral Polifónica, pelo Instituto Gregoriano de Lisboa

O Maestro Padre João Caniço é diplomado em Direcção de Canto Gregoriano e em Direcção Coral Polifónica, pelo Instituto Gregoriano de Lisboa, tendo frequentado, ao longo dos anos, diversos cursos breves de actualização e de aperfeiçoamento em Portugal, França e Itália.

Completa, neste ano de 2009, 43 anos de actividade coral ininterrupta, em Portugal, Timor-Leste, Itália e Angola. Entre outros, fundou em 1984 o Coro de Lisboa da Rádio Renascença, com os seus Coros Infantil (1985) e Juvenil (1990), que dirigiu até 1998.

Com orquestras e coros diversos, gravou, para as Edições Paulistas (Paulus) e para outros editores, 34 obras (Cristo Libertador, Caminha Povo de Deus, Vem Senhor Jesus etc.) em disco, cassete ou CD, com finalidades pedagógico-religiosas, dirigidas sobretudo ao mundo juvenil.

Dirige actualmente o Coro Santo Inácio, que ajudou a fundar em Setembro de 2002.

Discografia

CONTACTOS

TelefoneTel: (00 351) 217 541 626

TelemóvelFax: (00 351) 217 541 624

TelemóvelTlm. (00 351) 919 313 946

SítioSítio: www.ppcj.pt/csi

Correio electrónicoCorreio: joao.canico@netcabo.pt

03 Junho 2009

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JOAQUIM DOS SANTOS

P.e Joaquim dos Santos, um dos nomes cimeiros da música religiosa bracarense no século XX

Joaquim (Gonçalves dos) Santos (n. Riodouro, Cabeceiras de Basto, 13 Abr. 1936), um dos nomes cimeiros da música religiosa bracarense no século XX, compôs cânticos litúrgicos (115 publicados na Nova Revista de Música Sacra, entre 1971-2001), missas, hinos, fados, peças para órgão, piano e outros instrumentos. No Seminário Menor de Nossa Senhora da Conceição (Braga), onde ingressou em 1950, foi discípulo de Manuel de Faria Borda (Harmónio) e, mais tarde, de Manuel Faria (Harmonia), que lhe augurou um futuro brilhante. Em 1962, ano em que foi ordenado padre, ingressou no Conservatório de Música de Braga, onde seria discípulo de Luís Filipe Pires (Harmonia e Piano) e Isabel Malaguerra (Canto).

Entre 1963-1968, bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (1964-1968), estudaria no Pontificio Istituto di Musica Sacra, onde teve por mestres Ferruccio Vignanelli (Órgão), Armando Renzi (Composição), Higino Anglés (Musicologia), Eugenio Cardine (Paleografia gregoriana). Aí revelou certa ousadia e gosto pela inovação, embora o ambiente musical não cultivasse as linguagens musicais mais vanguardistas.

Algumas peças para órgão, cuja escrita reflecte a importância do instrumento na tradição e magistério católicos, foram executadas em Portugal, Espanha, Itália e República Checa. Com Joaquim Azevedo Mendes de Carvalho, Joaquim dos Santos fundou, em 1987, a revista Música Nova, entretanto suspensa. Tem composições incluídas em obras com o Cantemos Todos, A Igreja Canta, Cânticos Instrumentados para Banda, Revista da Academia Martiniana, Cancioneiro Antológico da ACAL, Método de Harmónio (de José de Sousa Marques) e revista Guitarreando.

Entre as obras corais-sinfónicas destacam-se as Lamentationes Jeremiae Prophetae, difundidas na Radio Vaticana. Na juventude, Santos foi influenciado por Manuel Alaio, Lima Torres e Lorenzo Perosi, modelo eclesiástico de polifonia "moderna" na primeira metade do século XX. Foi igualmente influenciado pelo património musical da Igreja e a música popular portuguesa, patente na harmonização em terceiras e no estilo popular de alguns textos. A sua actividade musical inclui ainda a criação e direcção de coros em paróquias de Cabeceiras, Celorico de Basto, Montalegre e Fafe.

OBRA EDITADA

(1971) Missa em Honra de Nossa Senhora de Fátima 2 v. i. Braga: Imp. Lito-Minho.

(s.d.) Cinco cânticos para a Comunhão Solene. Braga: Comissão Bracarense de Música Sacra.

(1999) Missa Simples (para banda filarmónica), Cânticos Instrumentados para Banda. Fátima: Serviço Nacional de Música Sacra; Secretariado Nacional de Liturgia.

António José Ferreira

HIPERLIGAÇÕES

Biografia por João Duque

SítioSítio: www.maestrojoaquimdossantos.blogspot.com

Correio electrónicoCorreio: casadacasinha@gmail.com

Esta caixa de correio, gerida pelo Monsenhor Agostinho da Costa Borges e Nuno Costa com o consentimento da irmã do compositor, Maria Gonçalves dos Santos, pode ser utilizada para pedir obras ou informações sobre o maestro, a sua obra ou outro assunto, ou informar de alguma acção associada ao nome Joaquim dos Santos.

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JORGE BARBOSA

Jorge Alves Babosa, sacerdote diocesano de Viana do Castelo, nasceu em Castanheira, Paredes de Coura, em 15/12/1955. Recebeu as bases da formação musical nos Seminários de Braga, recebendo uma particular influência de Manuel Faria com quem estudou e depois colaborou de perto até à morte deste, em 1983. Frequentou, no Conservatório do Porto, o Curso Superior de Piano com o Prof. Fausto Neves. Entre 1988-1992, frequentou o Pontifício Instituto de Música Sacra em Roma, onde obteve o título de Maestro em Canto Gregoriano (Bonifácio Baroffio), Licenciatura em Música Sacra (Harmonia, Contraponto e Fuga com Ítalo Bianchi) e Diploma de Órgão litúrgico (Alberto Cerroni), em todos os cursos com as máximas classificações. É Mestre em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa e licenciado em Teologia pela Faculdade de Teologia de Braga da UCP. Frequentou diversos outros cursos no âmbito musical, destacando-se o trabalho feito com Jos Lennards em Canto e Direcção Gregoriana (Fátima, 1974-1980), continuados com Theodore Marier (Roma, 1988) e Alberto Turco (Roma, 1989-91); com Domenico Bartolucci trabalhou Direcção Polifónica (Roma, 1988-1992) e colheu algumas experiências em trabalhos em Direcção Coral com Erwin List (Penafirme) e Walter Marzilli (Roma, 1991-92). Também no período de estudos em Roma fez parte, durante três anos, da Schola Cantorum Romana, grupo especializado na investigação e execução do repertório gregoriano, como cantor solista, tendo realizado mais de quarenta concertos.

Entre 1992-2001, foi Professor Adjunto na Escola Superior de Educação em Viana do Castelo, leccionando Análise Musical, História da Música, Harmonização Prática, Organologia e dirigiu também o Coro da mesma Escola em diversas apresentações públicas e concertos. Lecciona Teologia e Música Litúrgica na Escola Superior de Teologia e Ciências Humanas de Viana do Castelo.

Ao mesmo tempo desenvolve uma actividade de concertista de Órgão contando com um considerável número de concertos realizados em Portugal e na Galiza tendo inaugurado vários restauros de órgãos históricos. Com o Coro da Escola Superior de Educação, deu vários concertos temáticos de Natal e Páscoa com repertório coral e organístico, em Viana do Castelo e Valença. Tem publicados vários trabalhos no campo da investigação musicológica destacando-se "A Música na liturgia bracarense nos séculos XII e XIII" (Tese de Mestrado) e ainda o "Cancioneiro Coral Galego" (Ed. Ir Indo, Vigo), para coro de crianças, a que se acrescenta um considerável elenco de artigos e outros trabalhos no âmbito da Música e Teologia publicados em diversas revistas bem como colaboração em jornais.

Como compositor, publicou várias Composições para Coro nomeadamente dentro do repertório popular galego (três séries) e português (duas séries), grande parte já executada. Em edição do Secretariado Nacional de Liturgia, foi publicado um conjunto de arranjos de Música Litúrgica para Coro e Banda, tendo elaborado um considerável repertório para a mesma formação quer de carácter sacro quer profano.

No ano de 1997, venceu o "I Concurso de Composição Coral Cidade de Vigo", (composição original) e obteve o Terceiro Prémio (secção de harmonização de tema popular). Foi membro da Equipa Técnica da Federação Coral Galega, integrou ainda o Juri do Primeiro Concurso de Composição Coral Galega (Vigo), e dos Concursos "Pelegrin" de Composição Coral (Santiago de Compostela, 1993 e 1994) e do III Concurso de Composição Coral "Cidade de Vigo" (2001).

Participou como monitor em vários cursos de Direcção Coral na Galiza, desenvolvendo uma considerável actividade nesse campo quer como conselheiro técnico quer como compositor e acompanhador, dentro da actividade de organista, nomeadamente com o Coro "Ars Musicae" de Pontevedra e o "Coro Clásico" de Vigo.

Dados biográficos completos

3 Agosto 2004

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JOSÉ AUGUSTO ALEGRIA

O Cónego José Augusto Alegria (n. Évora, 1917; m. 2004) foi um dos homens que mais escreveram sobre a nossa música sacra e litúrgica. Estudou os arquivos da Sé de Évora e, graças ao seu precioso trabalho, "tomou-se conhecimento dos principais compositores que, como mestres de capela, exerceram uma influência que ultrapassou os confins regionais" .

Publicou as obras Arquivo das músicas da Sé de Évora: Catálogo (org., 1973), História da Escola de Música da Sé de Évora (1973), Frei Manuel Cardoso, compositor português, Biblioteca Pública de Évora: Catálogo dos Fundos Musicais (org., 1977), Tractado de canto mensurabile de Mateus de Aranda (trad. e notas, 1978) e História da Capela e Colégio dos Santos Reis de Vila Viçosa (1983), O ensino e a prática da música nas sés de Portugal (1985), Polifonistas portugueses (1985), O Colégio dos Moços do Coro da Sé de Évora (1997).

Da colecção Portugaliae Musica, são da sua responsabilidade 4 volumes de transcrição e estudo de João Rebelo (Psalmi tum Vesperarum, tum Completorii: Item Magnificat Lamentationes et Miserere), 1 de Diogo Dias Melgaz (Opera Omnia), 6 de Frei Manuel Cardoso (Liber Primum Missarum, Liber Secundus Missarum, Liber Tertius Missarum, Livro de Vários Motetes e Cantica Beatae Mariae Virginis/Magnificat). Recebeu, em 1985, o Prémio Ensaísmo Musical, atribuído pelo Conselho Português de Música ao livro Polifonistas portugueses.

José Augusto Alegria sucedeu a Sampayo-Ribeiro na Polyphonia Schola Cantorum (1967-1974) e dirigiu o Coro do Seminário de Évora durante 4 décadas. Fez crítica nas páginas da Lumen, numa perspectiva litúrgica conservadora. Lutou contra o que considerava mau gosto e a falta de qualidade poético-musical de muitos cânticos religiosos. Defensor do gregoriano, polifonia clássica e latim, deu formação nas semanas gregorianas e fez numerosas conferências no âmbito da história da música.

Foi membro e fundador da Consotiatio Internationalis Musicae Sacrae (Roma), sócio de mérito da Academia Portuguesa de História, da Sociedade Brasileira de Musicologia e Doutor Honoris Causa pela Universidade de Évora.

António José Ferreira

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JOSÉ FERNANDES DA SILVA

José Fernandes da Silva (n. Pereira, Barcelos, 4 Set. 1936; m. Vila Nova de Famalicão, 27 Fev. 2003) foi ordenado presbítero em 1960. Nos seminários de Nossa Senhora da Conceição, São Tiago e Seminário Conciliar (Braga), estudou com Manuel Borda e Manuel Faria (1953-1960). Na década de 60, frequentou o Conservatórios de Música do Porto e o Conservatório de Braga e diversos cursos com especial destaque para as Semanas Gregorianas, em Fátima (1953-1958). As suas composições, das quais 174 foram publicadas na NRMS entre 1971-2003, privilegiam a participação cantada da assembleia, caracterizando-se por melodias inspiradas na música tradicional e um acompanhamento harmónico simples ao órgão. Compõe sobre textos bíblicos ou de inspiração bíblica, recorrendo muitas vezes ao poeta Fernando Melro.

Após o Concílio Vaticano II, desenvolveu uma forte dinamização litúrgico-musical através dos encontros de liturgia na Arquidiocese e de uma Escola de Órgão, em Barcelos. Com Manuel Faria, iniciou, em 1974, o movimento dos coros paroquiais. Foi presidente da Comissão Bracarense de Música Sacra e director da NRMS (1983-1988). Recolheu e organizou provisoriamente o espólio das obras compostas por Manuel Faria, trabalho completado pela investigação de Cristina Faria. Deu um importante contributo para a música litúrgica bracarense juntamente com os padres Manuel Faria, António Azevedo Oliveira, Manuel Simões e Joaquim Gonçalves dos Santos.

António José Ferreira

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JOSÉ FERREIRA

Cónegro José Ferreira, foi um liturgista (perito em Liturgia), pedagogo e regente de coros

O Cón. José da Costa Ferreira (n. Paço, Torres Novas, 29 Mai. 1918 - m. Lisboa, 5 Mar. 2016), ordenado presbítero em 1941 no Patriarcado de Lisboa, foi um liturgista (perito em Liturgia), pedagogo e regente de coros. Redactor do "Boletim de Pastoral Litúrgica", colaborador assíduo de encontros nacionais e diocesanos de pastoral litúrgica, com Manuel Luís marcou a renovação litúrgico-musical do Patriarcado pelas suas aulas, conferências e direcção de celebrações. Frequentou os seminários do Patriarcado de Lisboa, o de Santarém (1930-1935) e o Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais (1935-1941), onde foi discípulo do ilustre liturgista José Manuel Pereira dos Reis (n. 1879; m. 1960). Especializou-se em Liturgia, entre 1966-1968, no Institut Catholique de Paris.

Foi professor no Seminário de São Paulo (Almada), leccionou Liturgia e Canto Gregoriano no Seminário dos Olivais (1953-2001), Latim, Liturgia e Pastoral Litúrgica na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa) desde o seu início até 1998. Antes do Concílio Vaticano II, orientou o Coro dos Olivais em numerosas missas solenes na Sé transmitidas pela Emissora Nacional todos os Domingos. Membro da Comissão Diocesana de Liturgia e de Música Sacra do Patriarcado de Lisboa desde 1965, foi seu presidente de 1971 a 2000.

António José Ferreira

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JOSÉ PEDRO MARTINS

José Pedro (de Jesus) Martins (n. Lagos, 26 Out. 1942), padre da diocese do Algarve, compôs para a liturgia numerosos cânticos, alguns deles conhecidos em todo o país. Aprendeu música e direcção coral nos seminários de São Paulo de Almada e de Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais (Lisboa). Frequentou, entre 1964-1969, várias acções pedagógicas no Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa, semanas gregorianas, em Fátima, e cursos de metodologia Orff e Willlems, organizados pela Fundação Calouste Gulbenkian. Regressado ao Algarve, foi professor de música no Seminário de Faro (1970-1974) e director do Secretariado de Liturgia, Música e Arte Sacra. Fundou e dirigiu o Coro do Conservatório Regional do Algarve (1973-1979), onde leccionou História da Música, e o Coral Ossonoba (1980). Gravou, para as Edições Paulistas, oito LP's, editados em Portugal, Espanha, Itália e Brasil.

Alguns cânticos foram traduzidos e inseridos em colectâneas oficiosas, como o Cantoral Liturgico Nacional de Espanha. A sua produção musical, dispersa, na sua maioria, por folhas avulsas, é influenciada pelo canto gregoriano, a constituição Sacrossanctum Concilium e as comunidades para as quais escreve, numa escrita melódia simples. Sem perder a primordial referência gregoriana, a sua escrita evolui no contacto com as raízes da música tradicional do Algarve, sobretudo no carácter contemplativo (patente nos seus romances e rezas), com certo sabor do neumatismo moçárabe. A ausência de um pensamento harmónico instrumental não é, provavelmente, alheia à falta de um complemento de formação superior, ao contrário de outros compositores da mesma geração (António Cartageno e António Azevedo Oliveira). Licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa (1980), escreveu artigos diversos em jornais e revistas no âmbito da música.

OBRA LITÚRGICA

O povo de Deus reunido colect. 1970.

Cânticos litúrgicos para o tempo comum (Verão).

Canto Pastoral. Brasil, São Paulo, Edições Paulinas Discos 1979.

Suenan voces de paz. Madrid, Ediciones Paulinas 1980.

Pueblo Santo y elegido. Madrid, Ediciones Paulinas 1981.

Voci di pace. Roma, Edizioni Paoline 1981.

Uma voz clama no deserto uma voz e SATB. Lisboa, Edições Paulistas, 1983.

Jesus nuestra Pascua. Madrid, Ediciones Paulinas, 1983.

Povo que vais ao encontro v. e org. Lisboa, Edições Paulistas.

Proclamai com alegria. Lisboa, Edições Paulistas.

Este é o tempo favorável (1984).

A Páscoa do povo de Deus (2000/1984) Faro: Secretariado Diocesano de Liturgia e Música Sacra do Algarve.

António José Ferreira

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LUÍS RODRIGUES

Luís de Sousa Rodrigues, padre, compositor, maestro, pedagogo e musicólogo

Luís (de Sousa) Rodrigues (n. Rande, Felgueiras, 06 Jul. 1906; m. Porto, 24 Abr. 1979) foi padre, compositor, maestro, pedagogo e musicólogo. Embora já no início do século XX houvesse no Porto padres a compor música religiosa à volta do editor e compositor Eduardo Fonseca, Luís Rodrigues marca a renovação da música sacra que teria, na Igreja da Lapa e em Ferreira dos Santos, pontos artísticos de altíssimo nível, sendo, nas décadas de 40-60, uma figura respeitada na música religiosa nacional. No Conservatório do Porto, estudou harmonia, contraponto e fuga com Cláudio Carneyro. Nomeado professor de canto gregoriano, no Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição (Porto), em 1930, completou os conhecimentos de cantochão que adquirira enquanto seminarista com o estudo nas abadias beneditinas de Saint-Wandrille e Saint Pierre de Solesmes (França). A partir de 1936, fez um curso de correspondência com o pedagogo e compositor francês Charles Koechlin (n. Paris, 27 Nov. 1867; m. Le Canadel, 31 Dez. 1950). Na Igreja da Lapa (Porto), de que foi reitor a partir de 1940 durante mais de 3 décadas, dinamizou a música sacra, e fundou, em 1958, o Coro de São Tarcísio.

A sua obra musical revela uma influência da música popular, nas cadências, ritmos e harmonias, nas quadras musicadas para crianças, a par de uma linguagem erudita, para coros, órgão e orquestra, com técnicas harmónicas modernistas. Além das suas publicações sobre estéticas musicais e compositores diversos com intenções pedagógicas, fez crítica musical e escreveu sobre aspectos do canto gregoriano e do órgão, para a Révue du Chant Grégorien (Paris), Coecilien Vereins Organ (Colónia), Gazeta Musical e Lumen (Lisboa). Foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Oficial da Ordem de Santiago da Espada.

Obras musicais

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MANUEL ALAIO

Manuel de Carvalho Alaio (n. Fão, Esposende, 7 Dez. 1888; m. Fão, 17 Mai. 1973), padre, professor, compositor e regente de coros, desenvolveu uma intensa actividade em Braga ao longo do primeiro terço do séc. XX: enquanto compositor de música religiosa,. pedagogo e regente. Contribuiu juntamente com António Domingues Correia (1877-1953) para a formação da Escola de Braga numa orientação caracterizada pelo desejo de fidelidade ao Magistério da Igreja. A Escola de Braga ocupou um lugar cimeiro na música religiosa em Portugal no séc. XX, patente na actividade dos coros, maestros, organistas e diversidade de compositores para a liturgia, sobretudo. Neste contexto privilegiou a utilização do canto gregoriano, a promoção do canto litúrgico em português, a abertura à influência da *música tradicional minhota e da poesia de sabor popular, a polifonia clássica e moderna e a manutenção do acompanhamento e literatura de órgão. Iniciou os estudos musicais no Colégio dos Órfãos de São Caetano, em Braga, onde aprendeu clarinete e integrou a Banda Filarmónica local. Aprendeu teoria musical, piano, harmónio e composição no seminário de Santo António e São Luís Gonzaga (Braga).

Leccionou solfejo e canto gregoriano no mesmo seminário entre 1915 e 1934. Organizou um coro conhecido por Capela do Padre Alaio, bem como o Orfeão do Seminário de Braga. A sua acção desenvolveu-se também no Orfeão do Liceu Sá de Miranda, em Braga, e no Orfeão de Braga, que fundou em 1923, com cerca de 120 vozes masculinas. Foi elemento preponderante da Comissão Bracarense de Música Sacra. Compôs cânticos religiosos cujas raízes remontam à música tradicional minhota, patentes sobretudo na harmonização em terceiras e na utilização de quadras de redondilha maior (versos de sete sílabas) com rima ABCB.

OBRA MUSICAL EDITADA

1931-1951) Ecos do Santuário: Colecção de motetes e cânticos religiosos. Braga: Livraria e Papelaria Nacional [25 Cânticos a uma ou duas v. individuais com acompanhamento de órg. ou harm., em latim e em português].

(1935) Marcha Jocista. Braga: s.e.

(1978) "Hino do Arcebispo Primaz", NRMS 5 (2ª série): 15-1

(1988) "Bendito e louvado seja", NRMS 48: 18-1

(s.d.) "Jesus", Laus Deo 5: 41-4

(s.d.) "Ladainha do sagrado coração de Jesus", Laus Deo 5: 41-43

António José Ferreira

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MANUEL DE SÁ RIBEIRO

Manuel de Sá Ribeiro, nascido em Forjães, Esposende, e oriundo de uma família de «Músicos», ao ingressar no Seminário de N.ª S.ª da Conceição, em Outubro de 1958, desde a primeira hora passou a fazer parte dos «Pequenos Cantores da Imaculada», no naipe dos tenores, sob a orientação do Pe. Manuel Faria Borda.

No segundo ano de frequência do referido Seminário, começou a praticar piano sob a orientação do Pe. José Sousa Marques. Deu continuidade aos seus estudos musicais, no quinto ano, com o Dr. Manuel Faria. Deu continuidade à actividade coral no Seminário de Santiago (Filosofia) - como barítono - e no Seminário Conciliar (Teologia), onde fez parte da «Schola Specialis».

Após a ordenação sacerdotal, em 18 de Dezembro de 1971, foi nomeado pároco de Valdosende, Terras de Bouro. Além do empenho na Catequese, foi, desde sempre sua preocupação a Liturgia. Daí ter fundado um pequeno Grupo Coral, para as celebrações litúrgicas. Por não ter ninguém “habilitado”, assumiu a regência e formação coral do mesmo, com ensaios regulares semanais. Transferido para S. Pedro de Rates, em 8 de Outubro de 1978, herdou um grande e muito bem preparado Grupo Coral, iniciado pelo musicólogo Pe. Arnaldo Moreira, e transformado em misto, pelo seu colaborador e sucessor, Pe. Eduardo Campos.

Dentro do seu saber, tem-se dedicado à formação litúrgica e «técnica» dos componentes. A sua formação deve-se, essencialmente, ao que seus mestres, sobretudo o grande Maestro e músico Cónego Dr. Manuel Faria, lhe ensinaram e, posteriormente, a uma autoformação.

09 Junho 2007

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MANUEL FARIA

Manuel Faria, compositor, pedagogo, maestro, articulista e conferencista

Manuel Ferreira de Faria nasceu em São Miguel de Ceide, a 16 Novembro de 1916 e faleceu no Porto a 05 de Julho de 1983. Foi compositor, pedagogo, maestro, articulista e conferencista. Entre as figuras eclesiásticas que se dedicaram à composição sacra e profana, instrumental e vocal, o Padre Manuel Faria ocupa um lugar destacadíssimo, a que se juntam importantes funções pedagógicas e literárias em Braga e a nível nacional, ao longo de 50 anos. Nasceu numa família minhota em que o canto, a dança e os instrumentos musicais eram estimados, sendo o pai tocador de concertina e viola. No fim da escola primária, frequentou os seminários arquidiocesanos, onde estudou solfejo, harmonia, piano e órgão. No final do curso teológico, o desejo e talento levaram-no ao Pontificio Istituto di Musica Sacra de Roma (1939), onde estudou com Gregorio Suñol (canto gregoriano), Cesare Dobici (contraponto), Raffaele Casimiri (polifonia) e Licinio Refice (composição) e Ferruccio Vignanelli (órgão).

Com a licenciatura em canto gregoriano e composição, e o Curso Superior de Composição, passou a trabalhar, em 1946, na formação musical dos seminários de Braga. Dentro de um estilo que reflecte a influência da música tradicional do Minho, compôs centenas de cânticos de cariz popular, baseando-se, muitas vezes, em poemas de José Alves e Monsenhor Francisco Moreira das Neves.

Publicou na Nova Revista de Música, Boletim de Música Litúrgica, A Arte Musical, Autores, Resistência, Diário do Minho, Novidades. Colaborou em obras enciclopédicas e publicou ensaios sobre Mozart, Beethoven, Poulenc, Debussy, Mahler e Pedro de Freitas Branco. Entre 1976-1981, fez, na Rádio Renascença, o programa semanal clássico Ao encontro da grande música.

Deu formação nas semanas gregorianas e fez parte da Comissão Portuguesa de Música Sacra, nomeada em 1965. Dirigiu as semanas bracarenses de música sacra de 1967 e 1971, e, em 1979, com Mário Mateus, o I Curso de Formação de Regentes e de Coros Amadores, na Póvoa de Varzim.

Lutou para que os órgãos do Bom Jesus do Monte e da Sé de Braga fossem restaurados, deixando algumas peças para órgão de execução difícil, nomeadamente o Tríptico para órgão, fuga em linguagem dodecafónica.

O impressionante catálogo das suas obras inclui cerca de duzentas peças para coro a capella (música sacra, hinos, danças); mais de trezentas e cinquenta peças para coro e instrumento(s), nomeadamente hinos, motetes, missas; trinta peças para voz e instrumento(s), incluindo natais; catorzes peças para instrumento solista (fantasias, peças para órgão e piano).

Em música de câmara, para agrupamentos diversos, há oito obras; onze, para orquestra sinfónica; três para coro e orquestra; cinco para banda de música; e sete peças para teatro; uma ópera. As primeiras obras foram escritas, geralmente, para coro masculino, pelo facto de serem os seminaristas a executá-las.

As obras para orquestra foram compostas, quase todas, depois de Frederico de Freitas mostrar desejo de as executar. A música coral profana tem a ver, na sua maioria, com o Coral dos Estudantes de Letras da Universidade de Coimbra, criado pelo seu irmão Francisco, em 1954. O encontro com Vito Frazzi, em Siena, e Petrassi, em Roma, levou-o à experiência dodecafónica, testemunhada pelas Nove Pequenas Peças para orquestra de câmara, e deu-lhe um sentido de liberdade em relação ao sistema tonal.

A obra Parábolas da Montanha valeu-lhe, em 1972, o Prémio Nacional de Composição Carlos Seixas. M. F. Faria fez inúmeras conferências e publicou estudos, críticos em relação ao estado geral da música sacra. A título póstumo, recebeu a condecoração de Comendador da Ordem de Santiago de espada.

Em 1998, foi criada a Associação Manuel Faria, com sede na Fundação Cupertino de Miranda, em Famalicão, a partir de um grupo de músicos de Braga. Pretende realizar um concurso bienal de composição e fazer o levantamento de todas as obras do grande compositor, na perspectiva de virem a ser publicadas, por temas.

Obras musicais

António José Ferreira e Cristina Faria

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MANUEL DE FARIA BORDA

Manuel de Faria Borda (n. São Paio de Fão, 07 Jul. 1914; m. Fão, 06 Mar. 1992) foi compositor, pedagogo e regente de coros. As suas composições religiosas e a sua actividade pedagógica fizeram dele uma das figuras mais populares da Escola de Braga. No seminário de Braga, aprendeu solfejo e canto gregoriano, com o P.e Francisco José Galvão. Mais tarde, estudou piano, harmonia, contraponto e fuga, em Salamanca e no Conservatório de Música do Porto, onde foi discípulo do pianista e compositor francês Lucien Lambert (n. Paris, 5 Jan. 1855; m. Porto, 21 Jan. 1945). A partir dos anos 40, foi professor de solfejo, piano e canto gregoriano.

O solene Te Deum e o moteto Cantate Domino, executados em 1940, em Braga e em Guimarães, nas comemorações da independência e restauração, impressionaram vivamente Mário de Sampayo Ribeiro, pela "grandiosidade de efeitos conseguidos com uma escassez de recursos". O musicólogo via nas peças "uma compleição musical absolutamente fora do vulgar" e convidava o P.e Borda a um melhor apetrechamento teórico. Êxito conheceram também a sua Visão Mística, apresentada em 1944, no Salão Nobre do Teatro Circo de Braga, num sarau de homenagem a Lucien Lambert, e o Laudate Dominum, para coro e orquestra, executado na Sala Medieval da Biblioteca Pública de Braga, na semana santa de 1950.

Em 1944, M. F. Borda fundou os Pequenos Cantores da Imaculada, orfeão infantil do Seminário de Nossa Senhora da Conceição, constituído por cerca de 90 seminaristas, que se apresentou em várias igrejas da cidade e gravou em disco várias obras do seu director. Com o objectivo de ajudar os seminaristas a praticarem as orientações do Magistério sobre a música, preparou a colectânea Jubilate: Antologia de Cânticos Religiosos (1957), essencialmente monódica, com números significativos de cânticos gregorianos e compositores do meio bracarense (Manuel Alaio, Lima Torres, Manuel de Faria Borda, Manuel Faria, Manuel Rodrigues de Azevedo, António Domingues Correia), mas incluindo também cânticos de Mário Sampayo Ribeiro, Pascal Piriou, Inacio Aldassoro e Luís Rodrigues.

Manuel de Faria Borda trabalhou com o Coro de Fão, para o qual musicou os salmos responsoriais para as missas de todo o ciclo litúrgico, com refrão a quatro vozes. Compôs ainda outros cânticos religiosos e várias peças orfeónicas inéditos. Integrou a Comissão Bracarense de Música Sacra durante décadas e colaborou assiduamente na Nova Revista de Música Sacra, através de composições para a liturgia renovada pelo Concílio. A sua composição está imbuída de sabor gregoriano, de acordo com o magistério da Igreja que apresenta o cantochão como modelo de canto, mas inspira-se também no canto popular tradicional do Minho. Tem, ao nível dos instrumentos, uma preferência clara pelo órgão ou harmónio que acompanha muitas das suas composições.

OBRAS SACRAS PUBLICADAS

Marcha catequística. Braga,1946.

Florilégio Mariano col. com Manuel Rodrigues de Azevedo. Braga, 1949.

Adeus: Cântico para o fim de Maio. Braga, 1951

Rosa Mística: Cânticos populares a Nossa Senhora col. para v. e harm. Braga1986/1953.

Cânticos de Natal para as Novenas do Menino Jesus col. Braga, 1957.

Harpa da Eucaristia col. de cânticos para a missa. Braga, 1957.

Hino do Bispo auxiliar de Braga, D. Francisco Maria da Silva. Braga, 1957.

Jubilate: Antologia de Cânticos Religiosos compil. de base monódica. Lisboa, União Gráfica, 1957.

Pelas almas. 1957.

Marcha Catequística para v. e org. Braga, Edição do Secretariado da Catequese,1962.

Hino de Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Arcebispo Primaz D. Francisco Maria da Silva para v. e org. Braga: Tipografia Editorial Franciscana, 1964.

Hino dos mártires do Brasil. Braga, Edição do Pe A. Santiago, 1965.

Missa em Honra de Santa Luzia. Braga, 1966.

Missa em honra de São Bento. Braga, Editorial Franciscana, 1972.

Cânticos para as celebrações litúrgicas col. de cânticos a 2 v. i., e 3 e 4 v. m. com acomp. de org. ou harm. Braga, 1984.

Florilégio Eucarístico (col.).

António José Ferreira

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MANUEL LUÍS

Manuel Luís (n. Turquel, Alcobaça, 8 Jul.1926; m. Lisboa, 5 Jul. 1981) foi o grande impulsionador da música litúrgica em português, após a abertura da liturgia às línguas comuns, com o Concilio Vaticano II. Cedo revelando aptidão musical, formou-se no Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais (Lisboa), aprendendo com Monsenhor Pereira dos Reis (1879-1960) a importância da participação dos fiéis na liturgia. Após a ordenação sacerdotal, frequentou, entre 1951-1958, o Pontificio Istituto di Musica Sacra de Roma, onde se diplomou em Canto Gregoriano e Composição Musical Sacra.

Deu expressão melódica aos textos litúrgicos em português, criando um vastíssimo repertório que é utilizado em todo o País. Musicou, em 1966, textos para cantar na Semana Santa, como Povo meu que te fiz eu para a adoração da cruz, salmos para a Vigília Pascal e diversos *cânticos pascais. Entre 1971-1973, publicou fascículos com os salmos responsoriais das missas da Quaresma/Páscoa. A edição completa de salmos para as missas dos três anos litúrgicos (A, B e C), seria caso único em toda a Europa. Compôs também para a Liturgia das Horas, (oração obrigatória para clérigos e religiosos, constituída por hinos, salmos, cânticos e leituras).

Publicou diversos artigos e cânticos na Nova Revista de Música Sacra, Boletim de Música Litúrgica e Boletim de Pastoral Litúrgica. Presidente da Comissão Portuguesa de Música Sacra desde 1965 até à morte prematura, em 1981, M. Luís foi um animador das semanas litúrgicas (nacionais e algumas diocesanas). Foi igualmente director do Coro do Seminário Maior de Cristo-Rei dos Olivais (Lisboa), onde desenvolveu importante actividade pedagógica, ao lado de José da Costa *Ferreira. A sua produção musical, de fundo gregoriano, mas enraizada no canto popular português, é apoiada nos textos da Bíblia, da tradição litúrgica e em poemas de Fernando Melro. A sua produção musical é essencialmente monódica e privilegia o órgão no acompanhamento harmónico.

OBRA MUSICAL EDITADA


(1955) "Recebei, ó Deus eterno: cântico ofertorial voz e órgão ou harmónio" =Cânticos da Comunidade Cristã 1. Lisboa: Secretariado Diocesano da Catequese.

(1960) "Cântico de glória: Cânticos e salmos para o Advento-Natal - Epifania a uma voz", Cânticos da Assembleia Cristã 4.

(1963) "Cânticos a Nossa Senhora", Cânticos da Assembleia Cristã 6.

(1963) "Eucaristia a uma e mais vozes", Cânticos da Assembleia Cristã 3.

(1963) "Cânticos Quaresmais: Cânticos e salmos para os tempos da Septuagésima e da Quaresma a uma voz", Cânticos da Assembleia Cristã; 5.

(1964/1958) "10 Cânticos sobre os salmos para voz e órgão" Lisboa: SDC

(1965) Missa Responsorial a uma voz. Lisboa: SDC.

(1966) Cânticos para a Semana Santa e Páscoa segundo o texto oficial aprovado a uma voz. Lisboa: Seminário dos Olivais.

(1968) "Ladainha dos santos a uma voz", Cânticos da Assembleia Cristã; 8.

(1971) Salmos responsoriais e aclamações a uma voz. Lisboa: União Gráfica.

(1976) "Hinos para a liturgia I", Música e Celebração, 1. Lisboa: Comissão de Liturgia e Música Sacra do Patriarcado de Lisboa

(1987) Tríduo pascal. Lisboa: CDLMS

(1997/1971) Salmos responsoriais uma ou duas vozes. Lisboa: CDLMS

António José Ferreira

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MANUEL SIMÕES

Manuel Simões (n. Pousaflores, Ansião, 10 Nov. 1924; m. Braga 9 Fev. 1995) foi compositor, poeta, ensaísta, pedagogo e regente de coros. Entrou na Companhia de Jesus a 7 de Set. de 1942. Licenciou-se em 1950 na Pontifícia Faculdade de Filosofia de Braga, frequentando em seguida o Curso de Teologia em Granada (Espanha), onde foi ordenado padre em 1956.

Foi membro da Comissão Nacional de Música Litúrgica, "por determinação do Episcopado, tradutor e revisor dos textos litúrgicos" (Mário Garcia) nos anos 60, membro da Comissão Bracarense de Música Sacra e vogal do Serviço Nacional de Música Sacra. Discípulo de Manuel Faria, foi um dos homens que mais contribuíram para a música litúrgica renovada pelo Concílio Vaticano II, em Portugal. Compôs numerosos cânticos que foram editados na Nova Revista de Música Sacra, de cuja direcção fez parte, nos cadernos do Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, no Boletim de Música Litúrgica e na Liturgia das Horas (livro para canto). A sobriedade poética, simplicidade melódica e inspiração bíblica da sua obra estão patentes nos 2 volumes de Salmos e cânticos publicados em 1970/71 que se popularizaram na região de Braga.

Manuel Simões desenvolveu uma actividade multifacetada, tendo sido director da Casa de Camilo, em São Miguel de Ceide (Famalicão) desde 1982 até à sua morte, fundador e director do Centro de Estudos Camilianos (1987-1995), director cultural (1978-1995), administrador (1985-1995) e vice-presidente da Fundação Cupertino de Miranda (1993-1995).

Após o falecimento do P.e Benjamim Salgado (1978), foi director do Orfeão Famalicense e da Associação dos Coros Paroquiais de Vila Nova de Famalicão. Docente na Faculdade de Filosofia de Braga (UCP) desde 1982, foi titular da disciplina de Cultura Portuguesa até à sua morte. O seu reconhecido amor à língua e cultura pátrias é patente na adopção de poesias de autores como Gil Vicente para alguns cânticos. Autor de vários livros de poesia e ensaio, traduziu, além disso, diversos autores, entre os quais Miguel de Unamuno, Romano Guardini, Marie Noël, Simone Weil e Khalil Gibran.

OBRA MUSICAL EDITADA

(1970) Salmos e cânticos 1. Caldas da Saúde: Instituto Nun'Álvares.

(1971) Salmos e cânticos 2. Caldas da Saúde: Instituto Nun'Álvares.

OBRA LITERÁRIA EDITADA

(1984) "A música sacra e os seus problemas", Laikos (3/4): 480-489.

(1991) Camilo e a música sacra. Braga: s.e.

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MANUEL VALENÇA

Manuel Valença, franciscano, musicólogo, investigador, escritor, compositor e organista

Manuel (Augusto Calheiros) Valença (n. Braga, 10 Abr. 1917 - m. Lisboa, 26 Jul. 2016) foi musicólogo, investigador, escritor, compositor e organista. As suas publicações, pioneiras no âmbito da organologia, em Portugal, sobre órgãos, organeiros, organistas e literatura para órgão de compositores portugueses, têm um interesse didáctico e científico, reconhecido nacional e internacionalmente. M. Valença divulgou a mecânica, história, bibliografia, discografia de órgão, e deu a conhecer a música portuguesa para órgão através dos seus concertos.

Desde criança, foi influenciado na vocação musical pelas canções ouvidas no cinema mudo e pelo ambiente familiar, onde o pai tocava bandolim, no Orfeão de Braga, e a mãe cantava e declamava poesia. No Colégio de Montariol estudou Teoria Musical, Solfejo e canto gregoriano. Foi discípulo de Armando Leça e Claúdio Carneyro, no Conservatório do Porto (1948-1952), transferindo-se para o de Lisboa (1952-1956), a fim de estudar órgão. Em Lisboa, estudou fuga com Armando José Fernandes, sonata e orquestração com Jorge Croner de Vasconcelos e órgão com Carl Heinz Müller (n. Essen, Alemanha, 1926), brilhante organista, doutorado em musicologia pelo Pontificio Istituto di Musica Sacra. Posteriormente, diplomou-se em musicologia pela University of South Africa, Pretória (1974/75-1978/79).

Entre 1967-1974, escreveu numerosos artigos e crítica musical em jornais de Lourenço Marques. Analisou e divulgou as características de canções chopes e do folclore musical moçambicano. Nas revistas Música Sacra (Brasil), Itinerarium, Nova Revista de Música Sacra, Ars Lusitana Musica, escreveu sobre compositores clássicos, registação e arte de acompanhar o canto litúrgico. Em Lourenço Marques (actual Maputo), onde foi missionário e presidente da Comissão arquidiocesana de música sacra entre 1969-1974, animou actividades musicais relevantes e foi executante de órgão, em concertos a solo e com orquestra.

Compôs música sacra e profana, vocal, instrumental e orquestral, quase toda por encomenda, para concertos em Portugal, África do Sul e Estados Unidos da América.

Obras musicais

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MÁRIO SILVA

A actividade musical do P.e Mário Silva, franciscano, (n. Caranguejeira, Leiria, 15 Fev. 1937), conhecida pelos LP, cassetes e livros publicados, está ao serviço da pastoral litúrgica e vocacional. Estudou Liturgia e Música no Instituto Católico de Paris, de 1961 a 1965. No Instituto Gregoriano de Lisboa, com bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian, foi discípulo de Frederico de Freitas em composição e Antoine Sibertin-Blanc em órgão.

Os seus cânticos, sendo um dos mais conhecidos Somos a Igreja de Cristo, apresentam uma textura homofónica em linguagem tonal. Muitos deles têm letra de Mário Branco, Adelino Pereira e Rosária Nunes. No espírito de simplicidade franciscana, M. Silva é simples e popular nas linhas melódicas, algo previsíveis, e acordes cifrados, na harmonização e na componente poética, frequentemente com quadras de versos pentassilábicos (Como o girassol) ou em redondilha maior (Vou cantar um hino à vida). Recorre a arranjos de José Prata e Carlos Rocha, a harmonizações de Manuel Valença e Silva Correia, e gravação de Fernando Rangel, editor discográfico do Porto.

OBRA EDITADA

(s.d.) | 1967-1984 | Louvai ao Senhor, vol. 1, 2, 3, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11. Lisboa: s.e.

(s.d.) | 1987 | Paz e bem, a toda a criatura saúdo por irmã. |Lisboa| s.e.

(s.d.) | 1989 | "Vai depressa mensageiro" | 10cânticos |, Louvai ao Senhor; 12. |Lisboa| s.e.

(s.d.) | 1990 | "Vem servir o homem", Louvai ao Senhor; 13 |Lisboa| s.e.

(s.d.) | 1991 | "Vem construir", Louvai ao Senhor; 14 | Lisboa | s.e

(s.d.) | 1992 | "Novo caminhar", Louvai ao Senhor; 15 | Lisboa | s.e

(s.d.) | 1993 | "Vem cantar a vida", Louvai ao Senhor; 16 |Lisboa| s.e

(s.d.) | 1994 | "Voz da Palavra", Louvai ao Senhor; 17 | Lisboa | s.e

(s.d.) | 1996 | "Peregrino da esperança", 18 | Lisboa | s.e

(s.d.) | 1997 | "Apoteose a Jesus Cristo", Louvai ao Senhor; 19 |Lisboa| s.e

(s.d.) | 1997 | "Saudação a Nossa Senhora", Louvai ao Senhor; 20 | Lisboa | s.e

(2000) Poema de amor. Porto: s.e

(2000) Vai nascer. Porto: s.e.

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PEDRO MIRANDA

P.e Pedro Miranda, professor, compositor e flautista

Nasceu em Coimbra, em 1964. Completou o curso de flauta transversal no Conservatório de Música de Coimbra com o Prof. Bernard Ravel-Chapuis, em 1987. Nos anos seguintes, ao mesmo tempo que leccionava no mesmo Conservatório flauta transversal, história da música e classe de conjunto, frequentou dois anos do curso bacharelato de flauta da Escola Superior de Música de Lisboa, onde trabalhou com Carlos Franco, Ricardo Ramalho, Olga Pratz, Carlos Brito, Amílcar Vasques Dias, Álvaro Salazar. Integrou o Grupo de Instrumentos de Sopro de Coimbra, desde a sua fundação até 1989, tendo tido, então, a oportunidade de participar em festivais internacionais na Bélgica e na Polónia.

Iniciou-se em direcção coral com José Robert, em 1986, e entre 1991 e 1994 frequentou e completou o I Curso Nacional de Música Litúrgica, onde trabalhou direcção coral com Hubert Velten. A sua actividade de compositor foi publicamente reconhecida pelo segundo prémio obtido no I Concurso Nacional de Composição Coral organizdo pelo Coro Misto da Universidade de Coimbra, em 1987 e pela recente publicação de obras suas na revista da Academia Martiniana.

Actualmente presbítero da diocese de Coimbra, é professor de Canto Coral e Harmonia na Escola Diocesana de Música Sacra. À Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra apresentou uma tese de mestrado em Ciências Musicais sobre "D. Francisco de Santa Maria, Cantor-Mor de Santa Cruz".

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