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Alfredo Teixeira
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ENTREVISTA

CHRISTOPHER BOCHMANN

Christopher Bochmann

Christopher Bochmann nasceu em 1950. Estudou particularmente com Nadia Boulanger em Paris antes de entrar para o New College, Universidade de Oxford. Lecionou na Inglaterra e no Brasil e, desde 1980 vive e trabalha em Lisboa. Lecionou no IGL, Conservatório Nacional e Universidade Nova. Foi professor da ESML de 1984 a 2006, tendo coordenado o curso de composição durante quase 20 anos e da qual foi Director de 1995 a 2001. Atualmente é Professor Catedrático da Universidade de Évora, tendo sido Diretor da Escola de Artes desta Universidade de 2009 a 2017. 

Desde 1984, é Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Juvenil. Ao longo dos anos, tem estreado várias obras suas com a orquestra, incluindo a gravação de três CD. Como compositor, ganhou vários importantes prémios, entre outros o Prémio Lili Boulanger (duas vezes) e o Clements Memorial Prize. Em 1999, foi-lhe atribuído o grau de Doctor of Music, pela Universidade de Oxford. Em 2004, foi condecorado com a Madalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura e em 2005 foi condecorado pela Rainha da Inglaterra com a distinção O. B. E. (Officer of the Order of the British Empire).

Christopher Bochmann, maestro

Tendo nascido na Inglaterra e estudado em França, o que lhe pareceu a música em Portugal quando chegou ao país?

Cheguei a Portugal em Novembro de 1980 e comecei logo as minhas atividades letivas no Instituto Gregoriano de Lisboa (IGL). As minhas impressões iniciais, portanto, eram do ensino da música mais do que da música prática em si. Senti que a abordagem era bastante tradicional e seca, sobretudo no que dizia respeito à Formação Musical e à Harmonia, etc. Devo dizer, no entanto, que se a impressão foi assim no IGL, muito mais exageradamente tradicional era a situação na maioria das outras instituições. Tive sorte, pois a Direção do IGL estava muito aberta a mudanças e iniciei uma série de reformas no ensino, nomeadamente nas Técnicas de Composição e na Análise Musical. Poucos anos depois foi-me dada a oportunidade de estar à frente da criação dos novos cursos superiores de música,  nomeadamente na Escola Superior de Música de Lisboa – cursos que eram verdadeiros cursos em vez de meras disciplinas.

Paralelamente com o meu envolvimento no ensino da música e especialmente da composição, comecei a formar coros e outros agrupamentos, tendo sido convidado a assumir a direção da Orquestra Sinfónica Juvenil em 1984 o que consolidou a minha relação com a música prática ao longo dos anos. Vejo com muita satisfação que o panorama da música prática a nível de escolas melhorou imenso no último terço de século: se uma parte desta melhoria se dever aos meus esforços, fico contente.

No que diz respeito à música em termos mais gerais, sinto que quando cheguei a Portugal as coisas estavam demasiado centradas em certas entidades. Nomeadamente, a Fundação Gulbenkian tinha uma espécie de monopólio que não era muito saudável: a Fundação nunca deixou de ter a sua importância mas felizmente apareceram outras entidades que completam o panorama musical.

Tendo recebido vários prémios internacionais, como aconteceu vir morar em Portugal?

Tendo terminado os meus cursos de Licenciatura e Pós-graduação, comecei logo a trabalhar e tive a sorte de arranjar boas colocações em várias escolas na Inglaterra. Por outro lado, senti com 25 anos que, dado o meu percurso até lá, poderia prever o que estaria  a fazer na idade da reforma. Apanhei um susto: precisava urgentemente de fazer algo de completamente diferente. Através do contacto de um grande amigo brasileiro, José Antônio de Almeida Prado, que conhecia em Paris uns anos antes, consegui arranjar um trabalho na Escola de Música de Brasília onde fiquei dois anos maravilhosos. Ao regressar à Europa, a minha mulher e eu pensávamos em passar mais uns dois anos noutro país qualquer antes de regressar à Inglaterra. O facto de já falarmos português e de o nosso regresso à Europa coincidir com a morte do Maestro Frederico de Freitas e a reforma do Professor Artur Santos, fez com que acabamos de mudar para Portugal em fins de 1980.

Inicialmente pretendíamos ficar uns dois anos apenas. Mas ao fim de dois anos abriu-se um porta interessante que fez com que pensássemos em ficar mais um ano.... e assim em diante. Agora completam-se 36 anos!

Dividindo as suas atividades entre a composição, o ensino e a direção de orquestra, o que acha da música da evolução da música erudita em Portugal nos últimas três décadas?

Há determinadas áreas em que a música tem evoluído excecionalmente no últimos trinta anos. Eu indicaria duas áreas em particular: nas cordas e na composição. O ensino das cordas tem melhorado imenso, em grande parte graças à intervenção de professores imigrantes de países de leste da Europa; como resultado a qualidade dos instrumentistas tem melhorado muito, fazendo com que os portugueses facilmente concorrem com qualquer outra nacionalidade.

Também na Composição houve umas melhorias excecionais, fazendo com que, com uma certa razão, se poderia afirmar que temos hoje em dia um panorama de compositores nacionais com métier e com estilos bastante variados, panorama este que o país não teve desde o fim do século XVIII, ou talvez antes. Tenho o orgulho de sentir que tive alguma influência nesta evolução.

Qual foi o primeiro momento em que se lembra de ter tido consciência de que a música era fundamental para si?

Nasci numa família de músicos: os meus pais eram ambos violoncelistas; a minha avó materna aluna de Max Reger; o meu avô paterno organista de igreja; um tio organista da Sé de Frankfurt; uma tia que era das primeiras alunas da Licenciatura em Música da Universidade de Oxford; .... neste contexto, a música não foi propriamente uma escolha mas uma das coisas mais naturais.

Cantei cinco anos num coro de catedral; fiz o exame de oitavo grau no violoncelo com 15 anos; comecei a compor com 14 anos e com 16 fui convidado a estudar com Nadia Boulanger em Paris.

É difícil dizer em que momento é que percebi que a minha vida só podia realizar-se no âmbito da música...

Que professores foram mais marcantes na sua vida artística?

Tive vários professores marcantes. Com doze anos tive um professor (Clement MacWilliam) que passou a totalidade do curso de harmonia comigo e que me incentivou a começar a compor. Na escola a seguir tive um professor (Donald Paine) que me ensinou o contraponto palestriniano e outras coisas – era um grande admirador de Vaughan Williams o que me irritava na altura, mas ajudou-me a definir os meus gostos e desgostos! A seguir fui estudar a Paris com Nadia Boulanger .... e foi decisivo para mim! Apesar de ela ter sido grande apoiante do neoclassicismo, movimento que não me interessava na altura, os comentários dela eram sempre relevantes (depois de alguma interpretação!). Com ela cheguei a fazer exercícios de contraponto a seis vozes em claves diferentes – uma perícia técnica que nunca voltaram a pedir-me! Com 17 anos ingressei na Universidade de Oxford onde estudei com David Lumsden (que depois passou a ser Diretor da Royal Academy of Music), com Kenneth Leighton um interessante compositor, relativamente tradicional na linha de Hindemith,  e com Robert Sherlaw Johnson. Este último foi a grande influência: era um homem humilde de um conhecimento excecional e de uma capacidade enorme de procura de coisas novas. Finalmente, tive aulas com uma certa regularidade com Richard Rodney Bennett: foi com ele que aprendi a verdadeira importância do pormenor, da notação e do domínio técnico. Para além destes, tive umas aulas isoladas com Pierre Boulez, Peter Maxwell Davies e Harrison Birtwistle, todos eles influências importantes para mim.

Condecorado pela rainha de Inglaterra e o Ministério da Cultura de Portugal, o que lhe ocorre dizer sobre as relações musicais entre os dois países na atualidade?

Sinto-me muito honrado por ter sido reconhecido pelos dois países, mas não me parece que haja nada de muito especial a dizer sobre a relação entre estes dois países especificamente. Neste momento, penso que o panorama europeu, ou até mundial, é mais importante do que as relações específicas entre determinados países.

Compôs muitas obras inspiradas em textos sagrados do cristianismo. Em que medida a tradição cristã influencia a sua vida e obra?

Fui criado na igreja anglicana e a minha experiência de cinco anos a cantar num coro de catedral fez com que há muitos textos (inclusive a maioria dos salmos) que ficaram muito na minha memória. Na realidade, há poucos dias que passam em que não sentimos a influência da nossa herança cristã de muitos séculos. Ainda mais especificamente na música, o número de obras primas que se baseiam em textos sacros (a missa, o Requiem, o Te Deum, o Magnificat, etc.) faz com que a espiritualidade do cristianismo nunca esteja muito longe. Não sou cristão praticante mas também não sou ateu. Penso que hoje – mais do que em épocas passadas a crença pode ser mais pessoal. Porém, sou claramente anti-laico:  penso que é fundamental poder crer e não ter que comprovar tudo: crer no sentido de poder saber sem prova. Sem esta capacidade, perdemos a magia da arte, da música.

Os textos que tenho utilizado são em grande parte textos místicos (John Donne, Henry Vaughan, George Herbert, ....); ou textos que fazem parte de um cânone de textos religiosos (Laudate Dominum, De Profundis, ...).

Que entidades destaca pelo seu contributo musical nos últimos 35 anos em Portugal?

Seria impossível não falar da Fundação Calouste Gulbenkian: a sua importância é inegável. Tenho pena de não ter podido colaborar com ela mais vezes (tive apenas três peças tocadas na Gulbenkian em 36 anos....).

Há outras entidades que também têm contribuído imenso: o São Carlos, a Metropolitana, a casa da Música, etc, etc. É saudável que a Fundação Gulbenkian não esteja a dominar a cena quase sozinha como fazia há umas décadas atrás.

Eu gostaria de chamar atenção a certas outras entidades que me parecem ter dado uma contribuição excecional mas que, por serem mais pequenas, talvez não sejam sempre lembradas. O Grupo Vocal Olisipo é um grupo que tem dado um contributo enorme ao longo dos anos – não daqueles projetos que fazem muito durante três anos e depois morrem! Este grupo tem trazido e consolidado um tipo de repertório diferente no país. Também gostaria de mencionar o Quarteto Matosinhos. Em Portugal fala-se muito das orquestras e as suas crises de vários tipos diferentes; não se fala da música de câmara nos mesmo termos porque a música de câmara praticamente não existe! A maioria dos quartetos de que se ouve falar encontram-se para fazer uns poucos ensaios antes de apresentar um programa com uns quartetos dos menos complicados e depois não se encontram mais enquanto não houver outro concerto (pago!) pedido. Ou seja, são biscates! O resultado é que efetivamente não conseguimos ouvir as obras mais pesadas do repertório (porque implica em demasiadas horas de ensaio). O Quarteto Matosinhos é dos poucos grupos que até certo ponto colmatam este vazio nacional.

É mais difícil ser compositor em Portugal do que na Inglaterra?

Não sei, porque deixei de viver na Inglaterra com 27 anos! Eu diria que provavelmente não é nem mais nem menos difícil – mas bastante diferente. 

Quais lhe parecem as maiores dificuldades e vantagens que se colocam hoje aos compositores portugueses na atualidade?

A vantagem principal para os compositores portugueses de hoje em dia é o acesso a uma formação sólida que os pode colocar ao lado de compositores de qualquer outro país ou contexto. Alguns ex-alunos que foram para fora estudar têm-me dito que, por comparação com outros alunos locais, sentiam-se melhor preparados!

Alguns podem apontar a falta de material como uma dificuldade... mas a falta de contrafagotes, ou determinados instrumentos de percussão, ou matérias electroacústicos pode ser visto antes como um desafio à invenção do compositor. Já assistimos a espetáculos para os quais se gastaram milhares de euros (lembro-me de Ofanim de Berio na Gulbenkian; ou Das Märchen,  a ópera do Emmanuel Nunes no S. Carlos): o compositor sai do concerto a pensar que para poder ser bom deve ter disponível um arsenal de materiais de um valor sem tecto! Convém lembrar, porém, que também Chopin com apenas um piano era génio; ou que Syrinx de Debussy será sempre uma obra prima.

Qual considera ter sido, até à data, o momento mais alto da sua carreira?

Não sei. Houve vários momentos inesquecíveis cada um por razões diferentes o que torna difícil a sua comparação. As três récitas da minha ópera, Corpo e Alma, formaram certamente um momento dos mais altos – em grande parte graças à interpretação completamente excecional do Armando Possante. O CD das minhas músicas para dois pianos também tem sido um dos momentos mais altos: a Ana Telles tem tocado várias músicas minhas e sou grande apreciador da sua mestria e entrega ao tocar. Ultimamente tenho colaborado ainda com outros dois colegas: Dejan Ivanovic na guitarra e Gonçalo Pescada no acordeão, ambos executantes do mais alto nível musical e humano. O problema de estar a enumerar certos casos é que há outros casos que são momentaneamente esquecidos mas não foram menos maravilhosos....

Outros momentos inesquecíveis incluem a estreia da minha Sinfonia em 2005 – obra que nunca voltou a ser tocada mas que o merece, diria eu! Acabo com um concerto de duas cantatas de Natal que escrevi no Brasil, apresentadas com umas 350 crianças em palco e mil pessoas na plateia, na Igreja Adventista em Brasília: não era permitido bater palmas portanto o público só podia abanar os braços no fim do concerto. Foi um momento deveras emocionante.

Qual foi a maior deceção musical na sua vida?

Outra vez, não sei! Talvez quando a Editora Peters me disse que afinal não queriam editar a minha música: tinha eu apenas 24 anos e marcou-me durante bastantes anos.

Não sei!

Quais os compositores da história da música que mais o marcam e inspiram?

Já falei dos compositores da geração imediatamente anterior (Lutoslawski, Boulez, Maxwell Davies, Birtwistle, ...). Andando para trás, acrescentaria Webern, Varèse, Bartók, Berg, Max Reger, Schubert, Beethoven, Haydn, Bach, Purcell, Byrd, Vitoria, Dufay, .... Esta seria uma lista incompleta mas não totalmente falsa.

Há músicos contemporâneos que tenham influenciado especialmente sua carreira?

Tirando os professores e compositores que já mencionei devo talvez acrescentar o Maestro Levino Ferreira de Alcântara, aluno de Villa-Lobos e diretor da Escola de Música de Brasília enquanto eu lá estava. Este senhor tinha uma visão excecional, criando coros, orquestras e escolas de música – fazendo com que a cidade de Brasília conseguisse ter música desde o primeiro dia da sua inauguração em 1960.

Quais os compositores que ouve mais?

Depende: por vezes procuro educar-me ouvindo músicas que não conheço mas penso que deveria ouvir; por vezes opto por um repertório mais familiar. Esta “zona de conforto” inclui muita música de Bach e muitas vezes música do fim do século XIX (Strauss, Mahler, Reger, ....) ou início do século XX (Bartók, Berg, ...).

Em três adjetivos, como se caracteriza a si mesmo?

A minha apreciação de mim mesmo será sempre suspeita!

Estes três adjetivos correspondiam a minha visão de mim  – ou, pelo menos, a minha intenção.

Equilibrado – o equilíbrio entre a inspiração e o domínio técnico; o equilíbrio entre o trabalho e a família; o equilíbrio entre o protesto e a conformidade.

Íntegro – procuro fazer com que todos os aspetos da minha vida sejam interligados e fundamentalmente influenciados pelos mesmos critérios éticos e estéticos.

Leal – penso que confiança a longo prazo é importante; cria uma compreensão mútua que permite o desenvolvimento de ideias e planos de maior alcance.

Por outro lado, haverá certamente outros que para mim iriam escolher adjetivos como teórico, autocrático ou fechado...!

Acha que a música é um investimento que nos pode trazer mais qualidade de vida na terceira idade?

Não só na terceira idade! A música é uma disciplina que põe partes diferentes do nosso cérebro a funcionar em simultâneo e como tal tende funcionar como uma lufada de ar fresco, um descanso, um alívio – e ainda possivelmente uma maneira de manter afastadas certas doenças como o Alzheimer’s... quem sabe...

TOPO

Christopher Bochmann no Funchal

ENGLISH

Having been born in England and having studied in France, what was your impression of music in Portugal when you first arrived?

I came to Portugal in November 1980 and immediately began to teach teaching at the Instituto Gregoriano de Lisboa (IGL). My initial impressions were, therefore, of musical education rather than music in performance. I felt the approach to be rather traditional and a bit dry, especially as regards the teaching of Aural Training and Harmony, etc. Nevertheless, I have to say that although that was my impression of the IGL, the situation was considerably more traditional in most other institutions. I was lucky: the people running the IGL were open to change and so I managed to introduce a number of reforms particularly in the areas of Composition Techniques and Musical Analysis. A few years later I had the opportunity to be among the creators of the new Higher Education Courses, at the Escola Superior de Música to be exact – courses that were real courses rather than individual subjects.

In parallel to my teaching activities, I began to create a number of choirs and other groups, and in 1984 was invited to take over as regular conductor of the Orquestra Sinfónica Juvenil (Lisbon Youth Orchestra), which consolidated my involvement in practical music making over the years. I look back with great satisfaction to see that the panorama of music making at student level has improved enormously over the last third of a century: if part of this improvement can be put down to my influence, I shall be happy.

As regards music in more general terms. I feel that when I arrived in Portugal things were somewhat too centred on a small number of entities. In particular, the Gulbenkian Foundation had a sort of monopoly that did not seem too healthy: this Foundation has never ceased to be important but in the meantime other entities have appeared to complete the musical panorama.

Having received various international prizes, how did you come live in Portugal?

When I finished my B.A. and B-Mus. Courses at Oxford, I began to work straight away and was lucky to find good positions in various schools in Britain. However, when I was 25, given my activities until then, I began to feel able to predict what I would be doing at retiring age. This was a shock: I needed urgently to do something completely different. Through a good Brazilian friend of mine, José Antônio de Almeida Prado, whom I had known in Paris some years earlier, I managed to find a job at the Escola de Música de Brasília where I stayed for two marvellous years. On returning to Europe, my wife and I thought we should like to spend another couple of years in some other country before returning to Britain. The fact that we already spoke Portuguese and that our return to Europe coincided with the death of Frederico de Freitas and the retirement of Artur Santos were factors that resulted in our moving to Portugal at the end of 1980. Initially we only intended to stay for a couple of years. But after two years something interesting happened or some new door was opened and we decided to carry on for one more year….and so on. Now we have been here for 36!

You divide your activities between composition, teaching and conducting. What do you think of the evolution of classical music in Portugal over the past three decades?

There are some areas in which music has developed enormously over the last 30 years. I would pinpoint two in particular: in string-playing and in composition. String teaching has improved a great deal, largely thanks to a number of immigrant teachers from the countries of Eastern Europe; as a result the quality of players has become much better, and so now the Portuguese can easily compete with all other nationalities.
In composition too there have been exceptional improvements, so that one could reasonably say that today we have a panorama of Portuguese composers of unassailable metier and with very different personal styles; the country has not seen such a wealth of composers since the end of the XVIIth century or maybe before that. I am proud to think that I have had some small part in this.

When did you first realise that music was would be fundamental? for you?

I was born into a family of musicians: both my parents were cellists; my maternal grandmother had been a pupil of Max Reger; my paternal grandfather was a church organist; I had an uncle who was organist of Frankfurt Cathedral; and an aunt who was one of the first students of the B.A. in Music at Oxford University; ….with this background, music was not exactly a choice but one of the most natural things around. I sang in a cathedral choir for 5 years; I did my grade VIII cello exam at 15;  I began to write music at 14 and went to study in Paris with Nadia Boulanger at 16. It is difficult to say when I realized that my life would centre around music…but certainly, I am not sure whether I learned to read music or words first!

Who are the teachers that were most important to your artistic life?

I had a number of influential teachers. At the age of 12, I had a teacher (Clement MacWiliam) who put me through the whole of Dyson’s Harmony course and encouraged me to write music. In my next school, I had a teacher (Donald Paine) who taught me Palestrina counterpoint among other things – he was a great admirer of Vaughan Williams, which irritated me at the time but helped me define my own likes and dislikes! After that, I went to study with Nadia Boulanger….and that was decisive for me. Although she had been a staunch supporter of neoclassicism, a tendency that did not interest me at the time, her comments were always relevant and perceptive (after a bit of interpretation!): she had an amazing command of English although her accent was very heavy. With her I studied species counterpoint and was doing six voice-exercises in different clefs – a technical achievement that no one ever asked of me again! At 17 I went to Oxford University where I studied with David Lumsden (later Director of the Royal Academy of Music), with Kenneth Leighton, an interesting though fairly traditional composer on the lines of Hindemith, and with Robert Sherlaw Johnson. The latter was a great influence: he was a humble person with extraordinary knowledge and an amazing capacity for looking into new things. Finally I had a number of isolated lessons with Pierre Boulez, Peter Maxwell Davies and Harrison Birtwistle, all of whom were important influences for me.

You have been decorated by the Queen of England and by the Portuguese Ministry of Culture. What would you say about present-day musical relations between the two countries?

I feel very honoured to have been decorated by both countries although I do not think there is a lot more to say about this, really. At present, I think that the European picture - or indeed the world picture - is more important than the relationships between particular countries.

You have written a good many works inspired by Christian religious texts. To what extent is the Christian tradition an influence in your life and work?

I was brought up in the Anglican Church and my experience of five years singing in a cathedral choir caused many texts (including a lot of the psalms) to be strongly imprinted on my memory. In fact, almost daily we are constantly reminded of our centuries-long Christian heritage. And especially in music, the number of works that  are based on religious texts (Mass, Requiem, Te Deum, Magnifcat, etc.) means that Christian spirituality is never far from us. I am not a practising Christian but I am also not atheist.  I think that today  - more than in the past – belief can be more personal. In a sense, though, I am certainly anti-secular: I think that it is fundamental to be able to believe and not only to prove: believe in the sense of knowing without proving. Without that ability, we lose the magic of art, of music.

The texts that I have used are largely mystical texts (John Donne, Henry Vaughan, George Herbert, ....); or texts that are part of the traditional canon of religious texts (Laudate Dominum, De Profundis, …)

What organisations would you pick out for their contribution to music in Portugal in the last 35 years?

It would be impossible not to mention the Gulbenkian Foundation: its importance is undeniable. I am sorry not to have been able to collaborate with it more often (I have only had three pieces performed there in 36 years….).

There are other organisations that have also contributed enormously: the São Carlos, the Metropolitan orchestra and school, the Casa da Música in Porto, etc. It is a sign of cultural health that the Gulbenkian should not be dominating the scene almost alone, as it did several decades ago.

I should like to draw attention to certain groups that I think have given an exceptional contribution, but that are often forgotten because they are smaller. The Olisipo Vocal Group is an ensemble that has made an enormous contribution over the years – it is not one of those groups that last for about three years only then to fizzle out.

It has brought a different sort of repertoire to the Portuguese audience and consolidated it. I should also like to mention the Matosinhos Quartet. In Portugal, there is a lot of talk about orchestras and their various different types of crises; no one speaks of the crises of Chamber Music because it hardly exists! The majority of the quartets we hear about meet up for a few rehearsals to prepare a programme of some of the less demanding works of the repertoire, and then do not see each other again until there is another (paid) concert on the cards. That is, it is casual work! The result is that we never really get to hear the heavier works of the literature (because they would mean too many hours of rehearsal). The Matosinhos Quartet is one of the few groups that to a certain extent fill this gaping national gap.

Is it harder to be a composer in Portugal than in England?

I do not know, because I moved from England when I was 27 years old! I imagine that it is neither easier nor harder – but very different.

What do you think are the main difficulties and advantages that confront Portuguese composers today?

The greatest advantage for Portuguese composers today is access to a solid training that can place them on the same level as composers of any other country or any other context. Some pupils that have been abroad to study further have reported that, by comparison with pupils there, they felt themselves better prepared.

Some might consider the lack of materials as a difficulty….but the lack of double bassoons, or certain percussion instruments, or electroacoustic equipment can in fact be seen as a challenge to the composer’s inventive skills. We have all been to concerts for which thousands of pounds have been spent (I particularly remember Berio’s Ofanim at the Gulbenkian; or Emmanuel Nunes’ Das Märchen at the São Carlos theatre): the composer leaves the hall feeling that in order to be any good he must be able to lay his hands on an arsenal of equipment, with money no object! We should remember however, that Chopin with just a piano at his disposal was a genius; or that Debussy’s Syrinx will always be a masterpiece.

What do you feel to have been the high point of your career so far?

I don’t know. There have been several unforgettable moments, each for its own reasons, which makes comparison difficult. The three performances of my opera, Corpo e Alma, certainly constituted a high point – largely because of Armando Possante’s exceptional interpretation. The CD of my works for two pianos was also a highlight: Ana Telles has played a number of my works for piano and I greatly admire her mastery and her dedication in performance. Recently I have also been collaborating with two other colleagues: the guitarist Dejan Ivanovic and the accordion player Gonçalo Pescada, both great performers both musically and as human beings?. The problem in naming certain people is that there are many others who have momentarily slipped my mind but who are no less marvellous to work with.

Other unforgettable moments include the first performance of my Symphony in 2005 – a work that has not been repeated since but which, I think, deserves to be! And to finish, I remember the concert in which I presented the two Christmas cantatas that I wrote in Brazil, with about 350 children on stage and a thousand people listening, in the Adventist church in Brasília: the audience was not allowed to clap so they could only wave their arms in appreciation: It was a really emotional moment.

What was your greatest musical disappointment?

Again, I don’t know! Possibly when Peter’s Edition decided not to take me on a regular basis: I was just 24 and it hurt for a number of years.
I don’t know!

Which composers of the whole history of music mean most to you or inspire you most?

I have already mentioned composers of the previous generation (Lutoslawski, Boulez, Maxwell Davies, Birtwistle, …). Working backwards, I would add Webern, Varèse, Bartók, Berg, Max Reger, Schubert, Beethoven, Haydn, Bach, Purcell, Burd, Vitoria, Dufay, …This list is of course very incomplete but not altogether false.

Are there any present-day musicians who have influenced your career especially?

Apart from my teachers and the composers I have already mentioned, I think I would add Maestro Levino Ferreira de Alcântara, a pupil of Villa-Lobos, who was director of Escola de Música de Brasília while I was there. This man had exceptional vision, forming choirs, orchestras and music schools – bringing music to Brasília from its inauguration in 1960. 

Which composers do you listen to most?

It depends: sometimes I try to educate myself listening to pieces I do not know but that I think I ought to; at other times, I opt for a more familiar repertoire. This “comfort zone” includes a lot of Bach and often music of the end of the XIXth century (Strauss, Mahler, Reger, ….) or of the beginning of the XXth century (Bartók, Berg, …)

With what three adjectives would you describe yourself?

My own appreciation of myself will always be suspect!

Here are three adjectives that I should like have used about me:

Balanced – the balance between inspiration and technical mastery; the balance between work and family; the balance between protest and conformity.

Honest – my intention is that all aspects of my life should be related and fundamentally guided by the same ethical and aesthetical values.

Loyal – I believe that long term confidence is important; it creates a mutual understanding that allows for the development of ideas and plans that are more far reaching.

I am sure there are others that would prefer adjectives like theoretical, autocratic, or short-sighted……!

Do you think that music is an investment that can bring us greater quality of life in old age?

Not only in old age! Music is a discipline that causes different parts of our brain to function at the same time and as such works like a breath of fresh air, a relaxation, a relief – and possibly a way of warding off certain illnesses like Alzheimer’s…

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